Uma gentileza tem transformado a vizinhança inteira de um bairro em Uberlândia, Minas Gerais. Depois que um pintou começou a reformar casas, com a pintura da fachada dos imóveis, outros vizinhos passaram a se organizar para ajudar e trazer outras mudanças que beneficiamm a todos.
O trabalho é realizado por Diego Ribeiro Cunha, de 40 anos, criador do projeto Pintura Solidária. Desde o fim de 2024, ele já revitalizou 48 muros sem cobrar das famílias, principalmente em regiões de maior vulnerabilidade social.
As ações acontecem a cada duas semanas e já chegaram a bairros como São Jorge, Jardim Canaã e Morumbi. Empresas locais ajudam com tintas, fitas, produtos e algumas despesas necessárias para que os moradores não precisem pagar pelo serviço.
E além de tranformar a vida de pessoas carentes, Diego ainda motiva o filho, de apenas 15 anos, a fazer o mesmo. O pintor leva o jovem com ele sempre aos finais de semana para ensinar mais sobre trabalho voluntário.
Pintor reforma casas e vizinhos levam a ideia adiante
Diego trabalha como pintor há mais de 20 anos. A ideia de usar a profissão em ações gratuitas surgiu no fim de 2024, depois que ele viu pela internet iniciativas comunitárias realizadas em outros países.
No início, a mulher, Jéssica Ernandina Silva, e os amigos Warley Montalvão e Vinícius Dias participaram das ações. Mais tarde, com a saída dos amigos por compromissos pessoais, o filho de Diego, Davi Ribeiro Silva, começou a acompanhar o pai nos fins de semana.
A aceitação dos moradores não foi imediata. Algumas famílias desconfiavam que haveria cobrança posterior ou algum interesse político. Conforme as intervenções passaram a ser divulgadas nas redes sociais, segundo Diego, as pessoas começaram a reconhecer o projeto e a receber a equipe com mais confiança.
Projeto já chegou a 48 fachadas
Uma das famílias atendidas recentemente foi indicada pela mãe de uma jovem de 22 anos que atravessava dificuldades financeiras e não tinha recursos para reformar a casa. Em outra ação, três moradores da mesma rua recusaram a pintura antes que uma quarta família aceitasse.
O serviço não se limita à mão de obra. Parceiros fornecem materiais e colaboram com combustível, alimentação e pequenos reparos estruturais necessários durante algumas intervenções.
A repercussão também alcançou o trabalho profissional de Diego. Segundo ele, a procura pelos serviços particulares aumentou mais de 100% desde o início das ações solidárias.
Mas a consequência que aparece nas ruas não depende apenas das próximas casas escolhidas pelo projeto. Ao ver um pintor reformar casas sem cobrar e acompanhar a mudança nas fachadas, vizinhos começaram a cuidar coletivamente dos próprios espaços. Enquanto as ações quinzenais continuam, esses mutirões mostram que algumas pinturas já ganharam continuidade pelas mãos dos próprios moradores.