Apenas 60% dos participantes alcançaram a nota mínima na primeira edição do Enamed, realizada em 2025. Após o resultado, o governo anunciou na sexta-feira (19/06) que a aprovação no exame passará a ser obrigatória para obtenção do registro médico no Brasil por estudantes que ingressarem futuramente nos cursos de medicina. A mudança para uma formação médica avaliada altera um modelo que permitia o exercício da profissão apenas com a apresentação do diploma.
Pela nova exigência, a prova para exercer medicina passa a funcionar como etapa obrigatória para acesso ao CRM, com exigência mínima de 60 pontos em uma escala de 0 a 100.
O desempenho registrado no exame mostrou que uma parcela relevante dos futuros médicos avaliados não atingiu o nível de proficiência definido pelo Inep. O resultado levou o Enamed a assumir uma função que vai além da avaliação acadêmica, passando a influenciar diretamente o ingresso na profissão.
Além de definir quem poderá obter o CRM, o Enamed cria uma etapa adicional de verificação antes do atendimento à população, enquanto gera dados nacionais sobre o desempenho dos cursos de medicina e amplia a capacidade de acompanhamento da formação médica no país.
Formação médica avaliada surge após diagnóstico inédito da educação
O resultado obtido na edição inaugural do Enamed produziu um retrato nacional da qualidade da formação médica. Pela primeira vez, um exame único permitiu medir o desempenho dos concluintes de diferentes instituições utilizando os mesmos critérios de avaliação.
Com a nova política, a obtenção do diploma deixa de ser o único parâmetro para ingresso na profissão. O exame passa a funcionar como uma verificação nacional de competências consideradas necessárias para o exercício médico.
Segundo o Ministério da Saúde, a medida busca ampliar a segurança do paciente ao exigir que conhecimentos considerados essenciais sejam demonstrados antes do início da prática clínica. O objetivo é impedir que profissionais sem o nível mínimo de proficiência ingressem diretamente no atendimento médico.
Exame nacional de medicina amplia monitoramento dos cursos
O exame nacional de medicina continuará sendo utilizado para acompanhar graduações médicas em todo o país. A função ganha relevância em um período de expansão da educação médica brasileira, permitindo comparar resultados acadêmicos e acompanhar a formação dos futuros profissionais de saúde.
Os resultados poderão subsidiar ações de supervisão e acompanhamento das instituições de ensino superior, criando uma base nacional de informações sobre desempenho acadêmico, qualidade da formação médica e evolução dos cursos de medicina.
O Ministério da Educação (MEC) estima superar 100 mil participantes nas próximas edições, incluindo estudantes do quarto e do sexto ano, ampliando o volume de dados disponíveis para avaliação da educação médica brasileira.
Formação médica avaliada: Prova para exercer medicina terá aplicação duas vezes por ano
Quem não alcançar a pontuação mínima poderá refazer o exame nas edições seguintes, que passarão a ocorrer semestralmente, criando novas oportunidades para obtenção da proficiência exigida para o registro profissional.
O Inep informou que utilizará metodologias estatísticas para manter equivalência entre as diferentes edições, garantindo que a pontuação preserve o mesmo significado independentemente da data de aplicação.
Outra mudança envolve médicos formados no exterior. A prova teórica do Revalida será substituída pelo Enamed, incorporando diferentes processos de avaliação em um único exame nacional.
Modelos semelhantes já são utilizados em países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, que adotam avaliações nacionais para verificar competências antes do exercício profissional. A adoção do Enamed como requisito para o CRM aproxima a certificação para médicos no Brasil de sistemas que combinam diploma e avaliação de desempenho.
A primeira aplicação sob as novas regras está prevista para 13 de setembro de 2026, com divulgação dos resultados em 4 de dezembro. A mudança ocorre após a primeira edição do exame mostrar que 40% dos concluintes avaliados ficaram abaixo da pontuação mínima de proficiência.
O que muda com o Enamed?
Quem precisará ser aprovado no Enamed?
Estudantes que ingressarem nos cursos de medicina após a entrada em vigor da medida provisória.
Formação médica avaliada: Qual será a nota mínima exigida?
O candidato deverá alcançar pelo menos 60 pontos em uma escala de 0 a 100.
Quem já está cursando medicina será afetado?
Não. A exigência valerá apenas para estudantes que ingressarem após a publicação da nova regra.
O Enamed substituirá algum outro exame?
Sim. A prova teórica do Revalida passará a ser substituída pelo Enamed.
