Cada vez mais estudantes da rede pública brasileira estão conseguindo avançar na trajetória escolar sem acumular anos de atraso. É o que mostra um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com base nos dados do Censo Escolar. Segundo a análise, o atraso escolar na rede pública diminuiu em todas as regiões do país entre 2022 e 2025.
Na prática, mais crianças e adolescentes conseguiram permanecer ou retornar à série compatível com a própria idade. Com isso, diminuiu o número de estudantes que acumulam dois anos ou mais de atraso em relação à etapa escolar esperada, indicador conhecido como distorção idade-série.
Atraso escolar na rede pública recua em todas as regiões
O levantamento aponta que a melhora ocorreu nas cinco regiões brasileiras. Embora Norte e Nordeste ainda concentrem os maiores índices de distorção idade-série, ambas registraram redução no período analisado.
A recuperação também não ficou restrita a uma parte do país. O avanço em todas as regiões indica que a redução do atraso escolar ocorreu de forma nacional, ainda que em ritmos diferentes.
Segundo o UNICEF, essa queda mostra uma recuperação gradual das trajetórias escolares após os impactos provocados pela pandemia, período em que muitas crianças e adolescentes enfrentaram dificuldades para acompanhar os estudos.
Apesar da melhora, o estudo estima que 4,2 milhões de estudantes da rede pública ainda apresentam atraso escolar. O número, no entanto, é inferior ao registrado em 2022, indicando uma evolução gradual ao longo dos últimos anos.
Desafio agora é manter os estudantes no ritmo escolar
O UNICEF destaca que a redução do atraso escolar está associada ao fortalecimento de políticas voltadas à permanência dos estudantes na escola, à busca ativa de crianças e adolescentes que deixaram de frequentar as aulas e às ações de recomposição da aprendizagem.
A entidade ressalta que manter essas iniciativas será fundamental para consolidar os resultados alcançados e ampliar a recuperação nos próximos anos.
Além de favorecer a aprendizagem, permanecer na série adequada para a idade aumenta as chances de conclusão da educação básica no tempo esperado e reduz o risco de abandono escolar.
O levantamento utilizou informações do Censo Escolar, elaborado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). P77[ara o UNICEF, dar continuidade às políticas de permanência escolar e recomposição da aprendizagem será decisivo para que um número cada vez maior de estudantes conclua a educação básica na idade esperada, com menos risco de interromper os estudos.