Novo sensor da USP pode acelerar a identificação de bactérias que contaminam arroz, leite e vegetais

O sensor da USP pode acelerar a identificação da bactéria Bacillus cereus em alimentos e fortalecer o controle microbiológico. Entenda como funciona.
Sensor da USP pode acelerar a identificação da bactéria Bacillus cereus em alimentos como arroz, leite e vegetais.
O sensor da USP utiliza uma proteína capaz de reconhecer o Bacillus cereus e gerar um sinal elétrico que indica a presença da bactéria. (Foto: IFSC/USP)

Alimentos como arroz, leite e vegetais poderão ter a identificação de bactérias contaminantes feita mais rapidamente graças a um sensor desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP). A tecnologia reconhece o Bacillus cereus, bactéria associada a intoxicações alimentares e infecções gastrointestinais, e pode acelerar a detecção de produtos contaminados.

Quanto mais cedo uma contaminação é identificada, mais rapidamente fabricantes conseguem separar lotes suspeitos antes que eles sigam para distribuição. Assim, a nova tecnologia foi criada para realizar uma triagem inicial rápida antes das análises laboratoriais convencionais.

Além do abastecimento interno, o equipamento também pode contribuir para o controle de alimentos destinados à exportação e à importação. Dessa forma, testes mais rápidos ajudam empresas a verificar cargas antes da liberação e atender às exigências sanitárias adotadas por diferentes mercados.

O projeto foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da USP, dentro de uma linha dedicada à criação de testes rápidos. Atualmente, a tecnologia permanece em fase de protótipo, possui pedido de patente depositado pela Agência USP de Inovação e segue em processo de validação científica.

Como o sensor da USP identifica a bactéria

O equipamento utiliza uma proteína chamada endolisina, produzida por bacteriófagos, vírus que evoluíram para reconhecer especificamente o Bacillus cereus.

Quando uma amostra de alimento entra em contato com o dispositivo, essa proteína se liga à bactéria e provoca uma alteração elétrica registrada pelo sensor. Em seguida, o sistema converte essa reação em um sinal que confirma a presença do microrganismo.

Segundo o professor Valtencir Zucolotto, do IFSC, a pesquisa aproveita um mecanismo desenvolvido pela natureza para criar um teste rápido capaz de indicar a presença da bactéria antes das análises laboratoriais completas.

Arroz, leite e vegetais estão entre os alimentos que podem se beneficiar

O Bacillus cereus costuma aparecer em alimentos consumidos diariamente, principalmente arroz, laticínios e vegetais. Nesses casos, a ingestão de produtos contaminados pode provocar intoxicações alimentares e infecções gastrointestinais.

Além disso, a pesquisadora Fernanda Coelho lembra que episódios recentes envolvendo fórmulas infantis demonstram a necessidade de desenvolver a tecnologia da USP para alimentos, pois ajudará a identificar rapidamente esse tipo de bactéria durante o controle de qualidade.

Com essa triagem inicial, apenas as amostras suspeitas seguem para análises laboratoriais mais detalhadas. Esse processo pode reduzir o tempo necessário para avaliar lotes de alimentos durante o controle de qualidade.

Tecnologia brasileira ainda busca parceiros para chegar ao mercado

Além de reconhecer o Bacillus cereus, a proteína utilizada no projeto possui uma região capaz de romper a parede celular da bactéria. Agora, os pesquisadores estudam novas aplicações para essa característica.

Paralelamente, a equipe submeteu um artigo científico para avaliação em revistas internacionais e procura parceiros para ampliar a produção da tecnologia da USP para alimentos e realizar sua transferência para o setor produtivo.

A próxima etapa será validar o biossensor fora do laboratório e ampliar sua escala de produção. Somente após essas fases a tecnologia poderá ser disponibilizada para uso pela indústria de alimentos.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp