Uma nova forma de produzir prótese dentária no SUS está chegando a centenas de municípios brasileiros. Scanner que registra a boca em três dimensões, softwares de planejamento e impressoras 3D estão substituindo parte das etapas convencionais de fabricação das peças.
Até agora, 316 municípios já receberam os equipamentos. O Ministério da Saúde prevê distribuir 500 kits de fluxo digital para 409 cidades; algumas receberão mais de uma unidade, de acordo com o tamanho da população e a necessidade de atendimento.
A diferença não fica apenas na tecnologia usada pelo dentista. Segundo a pasta, o processo digital reduz etapas convencionais e as possibilidades de erros e retrabalho, além de tornar a fabricação mais ágil. A estratégia busca aumentar a capacidade de produção e melhorar a qualidade da reabilitação oferecida aos pacientes.
A chegada dos equipamentos ocorre gradualmente e vem acompanhada da capacitação das equipes. Por isso, receber o kit não significa necessariamente que cada município contemplado já esteja produzindo as próteses pelo novo processo.
Prótese dentária no SUS começa com um escaneamento da boca
No modelo digital, o profissional usa um scanner intraoral para registrar as estruturas da boca. O equipamento gera um modelo tridimensional que servirá de base para planejar a prótese em um software específico.
Depois do planejamento, a peça segue para impressão em 3D. O trabalho ainda passa por lavagem, pós-cura, acabamento, caracterização e ajustes antes da instalação no paciente.
Os kits distribuídos pelo Ministério incluem scanner, notebook, programas de planejamento, impressora 3D, equipamentos para lavagem e pós-cura, nobreak e resinas específicas para diferentes tipos de prótese.
Para colocar essa estrutura em funcionamento, profissionais dos municípios contemplados passam primeiro por formação teórica virtual e depois por uma etapa prática presencial. Professores da Universidade Federal de Uberlândia participam dessa capacitação.
Demanda por próteses ainda é um desafio no Brasil
A tecnologia chega a uma rede que enfrenta uma demanda expressiva. Um estudo apresentado em setembro na 43ª Reunião da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPqO) estimou necessidade de prótese dentária em 60,2% da população analisada.
Os pesquisadores utilizaram dados do SB Brasil 2023 e informações de financiamento dos Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD). Pelos cálculos do estudo, a produção foi estimada em cerca de 2,17 milhões de próteses por ano.
O trabalho estimou ainda que seriam necessários, em média, 13 anos para atender toda a demanda calculada caso a produção permanecesse naquele patamar. O dado ajuda a dimensionar o desafio, mas não permite concluir quanto a nova tecnologia reduzirá essa espera.
Como pedir uma prótese dentária pelo SUS
O Brasil Sorridente oferece próteses gratuitamente. Para quem precisa do serviço, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS) com equipe de saúde bucal. O Ministério orienta procurar a unidade mais próxima levando documento de identificação, Cartão SUS e comprovante de residência.
A equipe odontológica avalia o paciente e orienta sobre a solicitação. Quando necessário, também pode encaminhá-lo aos serviços especializados. Os Laboratórios Regionais de Prótese Dentária dão suporte à rede na etapa de fabricação das peças.
A disponibilidade deve ser consultada no próprio município. Enquanto a distribuição dos novos equipamentos continua, a prótese dentária SUS passa a contar com o fluxo digital em mais localidades, mas a adoção depende da entrega dos kits e da preparação das equipes responsáveis por operá-los.