Dia do Coração destaca tecnologia brasileira que identifica cardiopatias em crianças

No Dia Mundial do Coração, experiência brasileira ganha destaque por usar telemedicina para conectar crianças a cardiologistas pediátricos.
Criança durante avaliação cardíaca com apoio de tecnologia de telemedicina.
Tecnologia de telemedicina permite que especialistas avaliem a saúde do coração das crianças mesmo a distância. - (Foto: Freepik)

No Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira (29/09), uma experiência desenvolvida no Brasil aparece entre os exemplos internacionais de como a tecnologia pode ajudar a cuidar melhor do coração das crianças. O modelo usa telemedicina para levar a avaliação de especialistas a locais onde não há cardiologistas pediátricos disponíveis.

Apoio

A iniciativa foi destacada no relatório de 2026 da World Heart Federation sobre cardiopatias congênitas. Durante sete anos, pediatras brasileiros realizaram 3.951 ecocardiogramas com apoio remoto de cardiologistas pediátricos, que acompanhavam os exames ao vivo ou analisavam posteriormente as imagens enviadas.

O método nasceu no Nordeste e buscou enfrentar uma dificuldade prática: muitas crianças precisavam viajar longas distâncias apenas para conseguir avaliação especializada. Na Paraíba, antes da criação da rede, pacientes chegavam a ser encaminhados para serviços localizados a até 500 quilômetros de distância, inclusive em Pernambuco.

Com a conexão entre pediatras locais e especialistas, o exame passou a ser realizado mais perto da família, enquanto o cardiologista podia participar do diagnóstico a distância.

Tecnologia aproxima especialistas do coração das crianças

A rede começou a ser estruturada em 2011, a partir de uma parceria entre o governo da Paraíba e o Círculo do Coração de Pernambuco. Médicos de unidades locais passaram a receber treinamento para realizar ecocardiogramas básicos e encaminhar as imagens aos especialistas.

O acompanhamento não serviu apenas para analisar os exames. Ao longo dos anos, os próprios pediatras melhoraram a capacidade de reconhecer alterações cardíacas.

No estudo que acompanhou o programa entre 2012 e 2018, os pesquisadores verificaram uma evolução progressiva na concordância entre as avaliações feitas pelos pediatras e pelos cardiologistas. A pesquisa concluiu que a participação contínua no programa aumentou o conhecimento dos profissionais sobre ecocardiografia.

Diagnóstico mais perto de onde a criança vive

Outro estudo analisou os efeitos da implantação do modelo em um centro de referência do Nordeste. Depois do início do rastreamento por telemedicina, houve aumento significativo na identificação de diferentes tipos de cardiopatias congênitas.

A World Heart Federation aponta que o modelo também ajudou a melhorar a detecção precoce, organizar os encaminhamentos e reduzir transferências consideradas desnecessárias. Para a entidade, a experiência mostra como a telemedicina pode conectar unidades com poucos especialistas a centros de referência sem exigir que toda criança seja deslocada inicialmente.

Esse tipo de atendimento é especialmente relevante porque as cardiopatias congênitas estão entre as anomalias presentes desde o nascimento mais frequentes no mundo. O relatório da federação estima que elas atinjam entre 1,4% e 2,3% das crianças nascidas globalmente.

Experiência brasileira ganha destaque internacional

O relatório de 2026 cita o trabalho brasileiro ao discutir soluções capazes de reduzir diferenças geográficas no acesso ao atendimento cardíaco infantil.

A tecnologia não substitui o cardiologista pediátrico nem elimina a necessidade de encaminhamento quando uma alteração é identificada. O ganho está em permitir que a primeira avaliação seja feita mais perto da criança e que o especialista participe da decisão mesmo estando em outra cidade.

No Dia Mundial do Coração, a experiência brasileira mostra uma aplicação concreta da tecnologia: encurtar a distância entre a criança e quem pode reconhecer um problema cardíaco, ajudando a direcionar mais rapidamente os casos que realmente precisam de atendimento especializado.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp