A criação de um novo centro médico em Brescia, no norte da Itália, ganhou destaque por colocar um parque de mais de 1 quilômetro no centro da experiência de atendimento. Chamado de “Hospital do Futuro”, o projeto aproxima pacientes, familiares e profissionais da natureza e acompanha uma tendência que ganha espaço em grandes centros de saúde.
Batizado de CareRing – Two Hospitals, One Health, o plano escolhido para renovar os Spedali Civili di Brescia utiliza um anel verde para conectar as diferentes áreas do complexo. O percurso reunirá jardins terapêuticos, caminhos arborizados, praças e locais de descanso acessíveis também à população.
Além da área verde, o empreendimento terá uma unidade para adultos e outra dedicada ao atendimento infantil. Embora funcionem em edifícios distintos, ambas compartilharão serviços e infraestrutura, formando um único centro de assistência, pesquisa e ensino.
Jardins terapêuticos passam a integrar o cuidado
Durante muitos anos, os jardins hospitalares foram tratados principalmente como elementos decorativos ou áreas de espera. Projetos mais recentes passaram a planejar esses locais com caminhos acessíveis, pontos de descanso, vegetação e conexão direta com os ambientes usados por pacientes e acompanhantes.
Uma revisão científica publicada em 2026 reuniu evidências sobre o chamado design biofílico, abordagem que aproxima os espaços construídos de elementos naturais. Os estudos analisados associaram jardins, entrada de luz natural, vistas para áreas verdes e uso de madeira à redução do estresse, à melhora do sono e à menor percepção de dor.
Os pesquisadores ainda precisam realizar estudos de longo prazo para medir determinados resultados clínicos. Mesmo assim, as evidências ajudam a explicar essa mudança. Em diferentes países, áreas verdes deixam de ocupar espaços isolados e passam a integrar a circulação dos hospitais.
Estrutura poderá acompanhar mudanças na medicina
O novo centro terá cerca de 60,5 mil metros quadrados e capacidade para aproximadamente 745 leitos. Na unidade para adultos, a arquitetura favorecerá a entrada de luz natural e oferecerá vistas para os Alpes italianos.
O hospital infantil será formado por três volumes cilíndricos cercados por jardins e pátios internos. A disposição busca criar áreas de convivência para as famílias e reduzir a aparência tradicionalmente rígida dos ambientes de internação.
As edificações utilizarão uma combinação de aço e madeira, sistema que facilita adaptações futuras sem exigir a reconstrução completa dos prédios. A flexibilidade permitirá reorganizar setores conforme surgirem novas tecnologias, equipamentos e necessidades assistenciais.
O novo complexo preservará os edifícios históricos do hospital do futuro. Eles passarão a abrigar atividades de pesquisa, inovação e ensino ligadas à Universidade de Brescia. Com investimento inicial estimado em 274 milhões de euros, as obras estão previstas para começar em 2028.