O primeiro comprimido contra colesterol da classe dos inibidores de PCSK9 começa a chegar às farmácias dos Estados Unidos em agosto. Mais prático que as versões injetáveis e com preço menor, o medicamento reduziu em até 60% o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, nos estudos clínicos. A novidade oferece uma nova opção para pacientes que precisam de uma redução mais intensa do colesterol.
A novidade recebeu aprovação do Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. Batizado de Lipfendra (enlicitide), o medicamento é indicado para adultos que não conseguem atingir as metas de colesterol apenas com estatinas, tratamento considerado a primeira escolha para a maioria dos pacientes.
Até agora, os medicamentos dessa classe só estavam disponíveis em aplicações injetáveis. A versão em comprimido pode facilitar a adesão ao tratamento e ampliar o acesso à terapia. Para quem precisa controlar o colesterol por muitos anos, a mudança também pode tornar a rotina mais simples, já que a fabricante anunciou um preço inferior ao dos principais concorrentes.
Comprimido contra colesterol elimina a necessidade de injeções
Ao contrário das estatinas, que reduzem a produção de colesterol pelo fígado, o Lipfendra bloqueia a proteína PCSK9. Com isso, os receptores responsáveis por retirar o colesterol LDL da circulação permanecem ativos por mais tempo, ajudando o organismo a eliminar uma quantidade maior desse colesterol.
Nos estudos clínicos que embasaram a aprovação do FDA, o medicamento reduziu em até 60% os níveis de colesterol LDL, resultado semelhante ao alcançado pelos medicamentos injetáveis da mesma classe.
Dois estudos clínicos avaliaram o medicamento em 3.207 adultos com colesterol alto. A pesquisa também incluiu pessoas com hipercolesterolemia familiar, doença genética que provoca níveis elevados de colesterol desde cedo. Todos os participantes já utilizavam a maior dose de estatinas que conseguiam tolerar, mas ainda precisavam reduzir o colesterol LDL.
Preço menor pode ampliar o acesso ao tratamento
O custo é outro ponto que diferencia o novo medicamento. A Merck anunciou preço de tabela de US$ 315 para o tratamento mensal. Os medicamentos injetáveis equivalentes custam entre US$ 500 e US$ 600 por mês nos Estados Unidos.
Além do valor mais baixo, o comprimido dispensa aplicações periódicas. Essa praticidade pode favorecer a continuidade do tratamento entre pacientes que precisam controlar o colesterol por muitos anos.
O lançamento nas farmácias americanas está previsto para agosto. Ainda não há previsão para a chegada do medicamento ao mercado brasileiro.
Estudos ainda avaliarão proteção contra infarto e AVC
Os medicamentos injetáveis dessa classe já demonstraram reduzir o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular em pacientes de alto risco. No entanto, os estudos ainda precisam confirmar se a versão em comprimido alcança os mesmos resultados.
A Merck conduz um estudo para verificar se o Lipfendra oferece a mesma proteção clínica observada com os tratamentos injetáveis. Enquanto isso, as estatinas continuam sendo a primeira opção para a maioria dos pacientes, e o comprimido contra colesterol passa a integrar as opções de tratamento para quem necessita de uma redução mais intensa do colesterol.