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Aplicativo brasileiro usa IA para traduzir Libras onde faltam intérpretes

Criada por Gabriel Sales, estudante da Universidade Federal Fluminense, a IA Libras converte sinais em texto e voz para apoiar conversas do cotidiano.
Hospitais, escolas, repartições públicas e estabelecimentos comerciais estão entre os locais onde a IA Libras pode ajudar a reduzir barreiras de comunicação.
Gabriel Sales, estudante da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolveu a IA Libras para facilitar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes em situações do dia a dia. (Foto: reprodução/Redes Sociais)

Um aplicativo desenvolvido pelo estudante Gabriel Sales, da Universidade Federal Fluminense (UFF), usa inteligência artificial (IA) para ajudar pessoas surdas em situações nas quais não há intérpretes de Libras disponíveis.

Chamada de IA Libras, a ferramenta utiliza a câmera do celular ou do computador para reconhecer sinais. O sistema converte os gestos identificados em texto em português e também pode reproduzir a mensagem em voz.

A tecnologia pode auxiliar em tarefas como pedir informações em uma loja, buscar atendimento em uma repartição pública ou iniciar uma conversa em hospitais e escolas. A proposta é oferecer uma forma adicional de comunicação entre pessoas surdas e ouvintes.

Como a IA Libras funciona na prática

Gabriel cursa Estatística na UFF e desenvolveu o aplicativo para facilitar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes em situações do dia a dia.

Para usar a ferramenta, basta posicionar-se diante da câmera e realizar os sinais. A inteligência artificial interpreta os movimentos e gera uma resposta compreensível para quem não domina Libras.

O recurso pode facilitar solicitações, esclarecimento de dúvidas e outras interações rápidas sem depender exclusivamente da comunicação por escrito.

A ferramenta não substitui intérpretes profissionais. A Língua Brasileira de Sinais possui estrutura gramatical própria e envolve expressões faciais, contexto e variações que vão além dos movimentos das mãos.

Por isso, o aplicativo funciona como apoio em conversas pontuais. Atendimentos mais complexos, como consultas médicas detalhadas ou situações jurídicas, continuam exigindo comunicação acessível com profissionais qualificados.

Onde a IA Libras pode fazer diferença

A ausência de pessoas que compreendam Libras ainda dificulta tarefas comuns. Em uma unidade de saúde, por exemplo, o paciente pode precisar explicar um sintoma ou entender uma orientação inicial.

Em escolas, lojas e órgãos públicos, a barreira também aparece ao solicitar documentos, localizar um setor ou buscar informações sobre um serviço.

Nessas situações, a IA Libras pode facilitar o primeiro contato entre a pessoa surda e o atendente ao transformar os sinais em texto ou voz.

Nem todas as pessoas com deficiência auditiva utilizam Libras. Ainda assim, soluções voltadas à língua ampliam as possibilidades de comunicação para parte dessa população.

Brasil tem 2,6 milhões de pessoas com grande dificuldade para ouvir

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou 2,6 milhões de brasileiros com muita dificuldade para ouvir ou que não conseguiam ouvir, mesmo com o uso de aparelhos auditivos.

O dado não representa diretamente o número de usuários de Libras, mas ajuda a dimensionar a necessidade de recursos de acessibilidade no país.

Embora intérpretes continuem indispensáveis em atendimentos especializados, a IA Libras amplia as possibilidades de comunicação em situações cotidianas nas quais esse apoio não está disponível.

Veja como funciona a IA Libras:

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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