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Após cinco anos, remédio para HIV produzido no Brasil fica pronto para o SUS

A Fiocruz concluiu os primeiros lotes nacionais do dolutegravir, usado por cerca de 770 mil pessoas. A entrega à rede pública ainda depende do registro da Anvisa.
O remédio para HIV produzido integralmente pela Fiocruz concluiu sua etapa de fabricação no Brasil. Os primeiros lotes aguardam apenas o registro da Anvisa para abastecer o SUS.
Após cinco anos de transferência de tecnologia, o remédio para HIV já teve os três primeiros lotes produzidos e validados. A produção nacional poderá reduzir a dependência de importações. (Foto: Getty Images)

O dolutegravir produzido integralmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu uma etapa inédita de desenvolvimento no país, segundo anúncio oficial nesta quinta-feira (17/07). Os três primeiros lotes nacionais já foram fabricados e validados, aproximando o medicamento do abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Antes de chegar aos pacientes, porém, o produto ainda precisa obter o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A conclusão dos lotes marca o fim de cinco anos de transferência de tecnologia entre a Fiocruz e a farmacêutica ViiV Healthcare. Nesse período, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) adaptou sua estrutura e incorporou os processos necessários para fabricar o medicamento no Brasil.

Enquanto a Anvisa não aprova o registro, o SUS continua recebendo o dolutegravir pelo modelo atual de fornecimento. Com o registro, a Fiocruz poderá iniciar a entrega dos lotes produzidos nacionalmente.

Remédio para HIV completa etapa decisiva de produção no Brasil

A parceria para nacionalizar o remédio para HIV começou em 2020 e envolveu a transferência gradual das etapas de controle de qualidade, embalagem e fabricação para Farmanguinhos.

Além de instalar novos equipamentos, a unidade treinou equipes para executar todas as fases industriais previstas no acordo. Os três lotes já concluídos demonstram que esse processo foi finalizado.

Hoje, o dolutegravir integra o tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS a cerca de 770 mil pessoas que vivem com HIV.

Produção nacional poderá reduzir a dependência de importações

O dolutegravir reduz a multiplicação do HIV no organismo e faz parte dos esquemas terapêuticos utilizados pela rede pública. O uso correto do tratamento ajuda a controlar a carga viral e preserva o sistema imunológico.

Depois que a produção nacional começar a abastecer o SUS, o país poderá reduzir a dependência de fornecedores internacionais e diminuir os riscos de interrupções causadas por dificuldades de importação ou problemas logísticos.

A transferência de tecnologia também amplia a capacidade da Fiocruz para desenvolver novos projetos de fabricação de medicamentos estratégicos. Entre eles está a combinação de dolutegravir com lamivudina, que reúne dois antirretrovirais em um único comprimido e já faz parte do tratamento de pacientes atendidos pelo SUS.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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