O dolutegravir produzido integralmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu uma etapa inédita de desenvolvimento no país, segundo anúncio oficial nesta quinta-feira (17/07). Os três primeiros lotes nacionais já foram fabricados e validados, aproximando o medicamento do abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Antes de chegar aos pacientes, porém, o produto ainda precisa obter o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A conclusão dos lotes marca o fim de cinco anos de transferência de tecnologia entre a Fiocruz e a farmacêutica ViiV Healthcare. Nesse período, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) adaptou sua estrutura e incorporou os processos necessários para fabricar o medicamento no Brasil.
Enquanto a Anvisa não aprova o registro, o SUS continua recebendo o dolutegravir pelo modelo atual de fornecimento. Com o registro, a Fiocruz poderá iniciar a entrega dos lotes produzidos nacionalmente.
Remédio para HIV completa etapa decisiva de produção no Brasil
A parceria para nacionalizar o remédio para HIV começou em 2020 e envolveu a transferência gradual das etapas de controle de qualidade, embalagem e fabricação para Farmanguinhos.
Além de instalar novos equipamentos, a unidade treinou equipes para executar todas as fases industriais previstas no acordo. Os três lotes já concluídos demonstram que esse processo foi finalizado.
Hoje, o dolutegravir integra o tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS a cerca de 770 mil pessoas que vivem com HIV.
Produção nacional poderá reduzir a dependência de importações
O dolutegravir reduz a multiplicação do HIV no organismo e faz parte dos esquemas terapêuticos utilizados pela rede pública. O uso correto do tratamento ajuda a controlar a carga viral e preserva o sistema imunológico.
Depois que a produção nacional começar a abastecer o SUS, o país poderá reduzir a dependência de fornecedores internacionais e diminuir os riscos de interrupções causadas por dificuldades de importação ou problemas logísticos.
A transferência de tecnologia também amplia a capacidade da Fiocruz para desenvolver novos projetos de fabricação de medicamentos estratégicos. Entre eles está a combinação de dolutegravir com lamivudina, que reúne dois antirretrovirais em um único comprimido e já faz parte do tratamento de pacientes atendidos pelo SUS.