Uma bebida natural bastante conhecida pelos brasileiros vai ganhar um novo uso nos próximos meses. Jaguaretama, no interior do Ceará, receberá a primeira biofábrica de água de coco em pó do país. A unidade utilizará uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) para produzir um composto nutricional com aplicações previstas em hospitais, escolas e programas de suplementação alimentar.
A previsão é que a biofábrica entre em operação até o fim do primeiro semestre de 2026. Com ela, uma pesquisa iniciada há quatro décadas passará a ser utilizada na fabricação do ACP Lacte, alimento desenvolvido a partir da combinação de água de coco em pó e leite de cabra.
O projeto reúne a ACP Nutrition, o Instituto Ecoco do Brasil, a Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e a Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale
Como a água de coco em pó será transformada em um novo alimento
Diferentemente da bebida consumida diretamente do fruto, a versão em pó passa por um processo de desidratação que preserva suas propriedades nutricionais. Isso permite transportar, armazenar e utilizar o produto como ingrediente em diferentes formulações alimentícias.
Entre as aplicações previstas estão a alimentação hospitalar, a merenda escolar, protocolos de jejum pré-operatório, suplementação nutricional e reposição hidroeletrolítica para atletas.
A utilização do alimento nesses espaços dependerá da adoção por hospitais, redes de ensino e programas públicos ou privados de alimentação.
Município foi escolhido pela tradição na caprinocultura
A fábrica terá capacidade para processar cerca de 2 mil litros de matéria-prima por dia. Jaguaretama foi escolhida para receber o empreendimento por reunir tradição na caprinocultura e potencial para integrar produtores da agricultura familiar à nova cadeia produtiva.
Segundo os idealizadores, a instalação da unidade também busca ampliar as oportunidades para cooperativas e produtores locais, aproximando a pesquisa científica da atividade econômica.
O projeto ainda reforça a estratégia de agregar valor à produção regional por meio da bioeconomia e da inovação desenvolvida no Ceará.
Pesquisa começou em 1985
A trajetória dessa tecnologia teve início em 1985, quando pesquisadores da Uece passaram a estudar o uso da água de coco na conservação de sêmen de caprinos e ovinos. Com o avanço das pesquisas, novas aplicações foram desenvolvidas para o ingrediente.
Além da área de alimentos, o grupo também investiga usos relacionados a cosméticos, conservação de órgãos para transplantes, cultivo de células-tronco e tratamento de feridas crônicas.
Com a implantação da fábrica, a tecnologia desenvolvida na universidade passa a contar com uma estrutura voltada à produção em escala, ampliando as possibilidades de aplicação da água de coco em pó em diferentes áreas da alimentação e da saúde.
