Energia coloca novas cidades na rota da economia digital e acelera a chegada de data centers ao Brasil

Estudo aponta sete cidades brasileiras no radar de investidores por reunirem energia elétrica, terrenos e infraestrutura para novos empreendimentos digitais.
A disponibilidade de energia colocou os data centers na rota de novas cidades brasileiras, impulsionando a expansão da infraestrutura que sustenta a economia digital.
Data centers dependem de infraestrutura elétrica robusta e estável para operar continuamente, fator que passou a influenciar a escolha de novas cidades para receber esses empreendimentos. (Foto: imagem gerada por IA)

A infraestrutura elétrica começa a mudar o mapa da economia digital brasileira. Cidades que antes ficavam fora do circuito dos grandes investimentos tecnológicos passaram a atrair projetos de data centers por já contarem com capacidade para abastecer essas operações.

Um estudo da Allrea, empresa especializada em inteligência territorial e desenvolvimento imobiliário, identificou demanda por áreas destinadas à instalação de data centers em Sorocaba (SP), Araraquara (SP), Joinville (SC), Ponta Grossa (PR), Rio de Janeiro (RJ), Nova Iguaçu (RJ) e Queimados (RJ). Em comum, elas oferecem um requisito que se tornou decisivo para o setor: energia disponível.

Os data centers armazenam, processam e distribuem dados que sustentam serviços em nuvem, plataformas digitais, sistemas corporativos e aplicações de inteligência artificial. Como funcionam ininterruptamente, dependem de um fornecimento elétrico robusto e confiável.

Por que a energia passou a decidir onde ficam os data centers

Segundo a Allrea, investidores priorizam regiões com subestações capazes de receber novas conexões. Construir uma nova estrutura desse tipo pode levar mais de dois anos, entre aprovação e instalação, dependendo da distribuidora responsável e da complexidade da obra.

Esse prazo faz com que cidades já preparadas para atender à demanda ganhem vantagem na disputa por novos empreendimentos. Além da capacidade elétrica, as empresas também analisam fatores como acesso logístico, disponibilidade de terrenos de grande porte e compatibilidade com o zoneamento urbano.

Entre as cidades mapeadas, Nova Iguaçu concentra nove áreas identificadas para esse tipo de projeto. Joinville e Ponta Grossa aparecem com oito terrenos cada. Queimados reúne cinco áreas, enquanto Sorocaba e a cidade do Rio de Janeiro possuem quatro. Araraquara completa a lista com duas áreas.

Infraestrutura abre espaço para novos investimentos

A busca por data centers começa a levar investimentos para municípios que tradicionalmente não figuravam entre os principais polos tecnológicos do país. Além das estruturas de processamento de dados, essas cidades passam a disputar projetos ligados à infraestrutura, telecomunicações e serviços especializados que acompanham esse tipo de empreendimento.

O relatório inédito da Allrea indica que essa procura deve continuar à medida que cresce a necessidade de processamento de dados no Brasil. Ao mesmo tempo, distribuir os data centers por diferentes regiões reduz a concentração da infraestrutura digital em poucos centros urbanos e fortalece a capacidade do país de acompanhar a expansão da economia digital.

Na prática, a disponibilidade de energia deixou de ser apenas uma vantagem operacional. Ela começa a funcionar como um diferencial competitivo capaz de definir onde será construída parte da próxima geração da infraestrutura digital brasileira.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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