A infraestrutura elétrica começa a mudar o mapa da economia digital brasileira. Cidades que antes ficavam fora do circuito dos grandes investimentos tecnológicos passaram a atrair projetos de data centers por já contarem com capacidade para abastecer essas operações.
Um estudo da Allrea, empresa especializada em inteligência territorial e desenvolvimento imobiliário, identificou demanda por áreas destinadas à instalação de data centers em Sorocaba (SP), Araraquara (SP), Joinville (SC), Ponta Grossa (PR), Rio de Janeiro (RJ), Nova Iguaçu (RJ) e Queimados (RJ). Em comum, elas oferecem um requisito que se tornou decisivo para o setor: energia disponível.
Os data centers armazenam, processam e distribuem dados que sustentam serviços em nuvem, plataformas digitais, sistemas corporativos e aplicações de inteligência artificial. Como funcionam ininterruptamente, dependem de um fornecimento elétrico robusto e confiável.
Por que a energia passou a decidir onde ficam os data centers
Segundo a Allrea, investidores priorizam regiões com subestações capazes de receber novas conexões. Construir uma nova estrutura desse tipo pode levar mais de dois anos, entre aprovação e instalação, dependendo da distribuidora responsável e da complexidade da obra.
Esse prazo faz com que cidades já preparadas para atender à demanda ganhem vantagem na disputa por novos empreendimentos. Além da capacidade elétrica, as empresas também analisam fatores como acesso logístico, disponibilidade de terrenos de grande porte e compatibilidade com o zoneamento urbano.
Entre as cidades mapeadas, Nova Iguaçu concentra nove áreas identificadas para esse tipo de projeto. Joinville e Ponta Grossa aparecem com oito terrenos cada. Queimados reúne cinco áreas, enquanto Sorocaba e a cidade do Rio de Janeiro possuem quatro. Araraquara completa a lista com duas áreas.
Infraestrutura abre espaço para novos investimentos
A busca por data centers começa a levar investimentos para municípios que tradicionalmente não figuravam entre os principais polos tecnológicos do país. Além das estruturas de processamento de dados, essas cidades passam a disputar projetos ligados à infraestrutura, telecomunicações e serviços especializados que acompanham esse tipo de empreendimento.
O relatório inédito da Allrea indica que essa procura deve continuar à medida que cresce a necessidade de processamento de dados no Brasil. Ao mesmo tempo, distribuir os data centers por diferentes regiões reduz a concentração da infraestrutura digital em poucos centros urbanos e fortalece a capacidade do país de acompanhar a expansão da economia digital.
Na prática, a disponibilidade de energia deixou de ser apenas uma vantagem operacional. Ela começa a funcionar como um diferencial competitivo capaz de definir onde será construída parte da próxima geração da infraestrutura digital brasileira.
