O cérebro artificial ganhou um novo protótipo desenvolvido com neurônios humanos vivos. O experimento, anunciado por pesquisadores iranianos, reforça uma linha de pesquisa que busca aproximar biologia e computação para criar sistemas inspirados no funcionamento do cérebro humano.
Segundo informações divulgadas pela agência Mehr News nesta terça-feira (07/07), a tecnologia ainda está em fase de laboratório e não possui aplicação comercial. Mesmo assim, o projeto representa mais um avanço em uma área que vem despertando interesse de centros de pesquisa ao redor do mundo.
O anúncio foi feito por Ataollah Pour-Abbasi, secretário da força-tarefa de desenvolvimento de ciências e tecnologias cognitivas do Irã. Conforme informou o dirigente, pesquisadores do país dominaram técnicas para cultivar células nervosas fora do organismo, permitindo que elas formem sinapses e construam redes com capacidade de aprendizado.
Cérebro artificial aproxima biologia e computação
A pesquisa faz parte de um campo conhecido como inteligência organoide, também chamado de computação biológica. Em vez de depender exclusivamente de chips de silício, essa área investiga o uso de células vivas para desenvolver sistemas inspirados na forma como o cérebro humano processa informações.
Segundo Pour-Abbasi, uma empresa iraniana de base tecnológica já produziu um protótipo experimental do dispositivo. O governo, porém, não divulgou o nome da companhia nem detalhes técnicos sobre o equipamento.
Pesquisadores de diferentes países estudam essa abordagem porque ela procura aproveitar características naturais dos neurônios, como a capacidade de estabelecer conexões e processar informações em paralelo. A expectativa é que esse conhecimento contribua para o desenvolvimento de novas arquiteturas de computação no futuro.
Modelo ainda precisa passar por novas etapas
Durante o anúncio, Pour-Abbasi afirmou que processadores baseados em células nervosas poderão, no futuro, oferecer maior velocidade de processamento. Segundo ele, essa tecnologia também poderá consumir até um milhão de vezes menos energia do que os chips convencionais. A estimativa foi apresentada pelo dirigente como uma expectativa da tecnologia e ainda depende de novas pesquisas e validações científicas.
O secretário também declarou que o Irã já domina todas as etapas técnicas necessárias para produzir esse tipo de sistema em laboratório. Apesar disso, reconheceu que a tecnologia ainda precisará superar diversas fases antes de chegar ao mercado.
Mesmo distante da aplicação comercial, o cérebro artificial reforça uma tendência observada em laboratórios de diferentes países: desenvolver tecnologias inspiradas na capacidade de aprendizado dos neurônios para tornar a computação mais eficiente e ampliar as possibilidades de pesquisa em neurociência e inteligência artificial.
