A pesquisa brasileira com a polilaminina alcançou um novo marco. O tratamento experimental para pessoas com lesão medular chegou a 100 pacientes atendidos por meio do Programa de Uso Compassivo, mecanismo que permite o acesso a medicamentos ainda em desenvolvimento em situações específicas previstas na legislação. A marca, divulgada nesta terça-feira (07/06) mostra que uma tecnologia criada no país já começou a sair dos laboratórios para chegar, de forma controlada, a famílias de diferentes estados.
A equipe responsável pelo programa comemorou também o resultado nas redes sociais. Para os pesquisadores, o número representa uma nova etapa no desenvolvimento da polilaminina, que continua em avaliação clínica e ainda não possui aprovação definitiva para uso amplo.
Segundo Mitter Mayer, coordenador do grupo de trabalho do uso compassivo da polilaminina, sob supervisão da pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), todos os pacientes reavaliados após seis meses apresentaram evolução no nível da lesão medular, segundo o coordenador.
“A cada aplicação renovamos um compromisso: o de nunca deixar de acreditar que a ciência existe para servir às pessoas. Que venham os próximos 100. E que, um dia, possamos olhar para trás e dizer que tudo isso foi apenas o começo”, escreveu Mitter, no perfil dele no Instagram.
Pesquisa segue em desenvolvimento
Desenvolvida em parceria entre a UFRJ e o Laboratório Cristália, a polilaminina é uma molécula sintética derivada da laminina humana. A proposta é criar uma estrutura capaz de favorecer a regeneração de neurônios após lesões na medula espinhal.
Os estudos concentram-se, neste momento, em lesões medulares agudas, geralmente provocadas por traumas ocorridos há menos de 72 horas. Nesses casos, a aplicação precisa acontecer rapidamente, antes que a formação de cicatrizes dificulte a ação esperada do medicamento.
Apesar do avanço representado por essa marca, a substância continua em fase experimental. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos ensaios clínicos de Fase 1, etapa destinada principalmente à avaliação da segurança do tratamento.
O que significa o uso compassivo
O Programa de Uso Compassivo não representa a aprovação definitiva de um medicamento. Esse mecanismo permite que pacientes em condições específicas tenham acesso a terapias experimentais antes da conclusão de todas as etapas regulatórias, sempre dentro de protocolos médicos e das regras estabelecidas pelos órgãos competentes.
Por isso, os resultados observados durante o acompanhamento dos pacientes não substituem as evidências que ainda precisam ser produzidas pelos estudos clínicos.
Marco reforça a expectativa sobre a inovação brasileira
Para a equipe envolvida no projeto, esse resultado simboliza mais do que um número. A marca demonstra o avanço de uma tecnologia desenvolvida no Brasil e reconhece o trabalho de pesquisadores, médicos e profissionais de saúde que levam o tratamento a diferentes regiões do país.
Enquanto os ensaios clínicos avançam, o marco de 100 pacientes atendidos indica que uma inovação criada no Brasil começa a ganhar alcance dentro de protocolos controlados de pesquisa. Os próximos estudos serão decisivos para avaliar a segurança e o potencial da polilaminina como futura alternativa terapêutica para pessoas com lesão medular.
