A Fifa confirmou que discutirá a possibilidade de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções após a edição de 2026. A entidade ainda analisará a proposta. Mesmo assim, o Mundial deste ano já apresentou um dos principais argumentos a favor da expansão. Seleções que raramente chegavam ao torneio ganharam espaço e avançaram ao mata-mata. Elas também mostraram que podem competir de igual para igual com potências do futebol.
Cabo Verde foi um dos maiores símbolos dessa mudança. Em sua primeira participação em Copas do Mundo, a seleção africana superou a fase de grupos e perdeu para a Argentina por 3 a 2 na prorrogação das oitavas de final. O Egito também escreveu uma campanha histórica: venceu seu primeiro confronto eliminatório em Mundiais e depois caiu diante da seleção argentina.
Essas trajetórias reforçaram a ideia de que ampliar o número de participantes não significa apenas aumentar a quantidade de jogos. Na prática, o formato mais amplo abriu espaço para novas histórias. Também revelou seleções competitivas. Além disso, aproximou do torneio países que passaram décadas à margem da principal competição do futebol.
Mais vagas mudam o cenário para seleções emergentes
Durante muitos anos, disputar uma Copa do Mundo foi um objetivo distante para diversas federações. Em alguns continentes, dezenas de seleções competiam por poucas vagas, e os mesmos países acabavam se classificando para a Copa na maioria das edições.
Com o aumento para 48 participantes em 2026, esse cenário começou a mudar. Além de Cabo Verde e Egito, outras seleções menos tradicionais chamaram atenção. O Paraguai eliminou a Alemanha no mata-mata, enquanto Marrocos voltou a fazer uma campanha consistente e alcançou as quartas de final, confirmando que o bom desempenho de 2022 não foi um caso isolado.
Esses resultados ajudaram a ampliar a diversidade de estilos, culturas e histórias presentes no torneio. Para o público, a Copa ganhou novos protagonistas. Para as seleções emergentes, a competição deixou de representar apenas uma participação simbólica e passou a oferecer oportunidades reais de disputar fases decisivas.
Oportunidade pode impulsionar o desenvolvimento do futebol
Os benefícios de uma classificação para a Copa vão além dos 90 minutos em campo. Participar do principal torneio do futebol aumenta a visibilidade internacional de atletas e treinadores, fortalece o interesse de patrocinadores e pode estimular investimentos em infraestrutura, categorias de base e programas de formação.
Quando a classificação passa a parecer possível, muitas federações ganham mais argumentos para investir em projetos de longo prazo. O próprio desempenho em um Mundial também contribui para acelerar a evolução técnica das seleções, que passam a enfrentar adversários de alto nível com mais frequência.
Por isso, defensores da ampliação afirmam que uma Copa mais representativa pode contribuir para reduzir a distância entre as potências tradicionais e países que vêm investindo no crescimento do futebol nas últimas décadas.
Fifa analisará proposta de ampliar a Copa
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) apresentou a proposta de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções durante as discussões sobre a edição de 2030, que marcará o centenário da competição.
Nesta semana, o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, afirmou que os comitês competentes da entidade analisarão a proposta após a Copa de 2026. Até o momento, não existe decisão sobre a adoção do novo formato.
Antes de qualquer mudança, a entidade ainda precisará avaliar questões como calendário, distribuição de vagas entre as confederações, logística e impacto na organização do torneio. Independentemente do resultado desse debate, a edição de 2026 já deixou uma demonstração de como uma Copa com mais participantes pode ampliar o espaço para seleções que antes apenas sonhavam em disputar o maior palco do futebol mundial.
