Um composto retirado da casca da castanha de caju poderá, no futuro, dar origem a uma nova geração de materiais usados em tratamentos na odontologia. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram a tecnologia, e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) já concedeu a carta-patente.
A pesquisa não se limita a um único produto. A mesma tecnologia poderá gerar resinas para restaurações, adesivos e materiais que ajudam a tratar a sensibilidade dos dentes. Essa versatilidade é um dos principais diferenciais do projeto.
Embora a tecnologia já tenha recebido a carta-patente, ela ainda precisa passar por novas etapas de desenvolvimento antes de chegar aos consultórios. A UFC terá de ampliar os estudos, avançar na produção e realizar novas validações antes de uma possível fabricação industrial.
Como a casca pode chegar aos dentes
O cardanol é uma substância presente no líquido da casca da castanha de caju. Os pesquisadores modificaram esse composto para que ele pudesse ser incorporado à fabricação desses materiais odontológicos.
Segundo a UFC, os materiais desenvolvidos também foram projetados para manchar menos, absorver menos água e resistir melhor ao desgaste, características que podem contribuir para restaurações mais duráveis.
Além de poder ser aplicada em diferentes produtos, a tecnologia foi projetada para tornar esses materiais mais resistentes. Segundo a UFC, os compostos ajudam a reduzir a pigmentação, absorvem menos água e tendem a sofrer menos desgaste ao longo do tempo, características que podem aumentar a durabilidade das restaurações.
Tecnologia cria alternativa a derivados do BPA
Outro objetivo da pesquisa é substituir o Bis-GMA, derivado do bisfenol A utilizado na composição de diferentes resinas odontológicas. A literatura científica reconhece o BPA como um desregulador endócrino, mas ainda investiga a quantidade liberada por materiais dentários e o risco clínico associado a essa exposição.
Por isso, a pesquisa da UFC não significa que as restaurações disponíveis atualmente sejam automaticamente perigosas. Ela oferece uma rota alternativa para reduzir a dependência desses derivados na fabricação de novos materiais.
A tecnologia está no nível 5 de uma escala de maturidade que vai até 9. Essa classificação indica que a solução já passou por validação em ambiente pertinente, mas ainda precisa avançar antes de chegar ao mercado.
O próximo passo será ampliar os testes e aproximar a tecnologia da indústria. Se as próximas etapas confirmarem os resultados obtidos até agora, o composto de caju poderá deixar os laboratórios para integrar uma nova geração de materiais usados em restaurações e outros tratamentos na odontologia.