A moda sustentável ganhou espaço na formação de novos estilistas durante o desfile Metamorfose, realizado no sábado (27/06) pelo Centro Universitário IESB, no Museu de Arte de Brasília (MAB). As coleções desenvolvidas por calouros e formandos transformaram a Amazônia e a economia circular em ponto de partida para propostas criativas que dialogam com mudanças já observadas na indústria da moda.
O evento reuniu estudantes em diferentes etapas da graduação. Enquanto os calouros exploraram elementos da floresta, da ancestralidade e dos saberes tradicionais, os formandos apresentaram projetos voltados ao design de moda sustentável, utilizando materiais alternativos, técnicas artesanais e soluções ligadas ao reaproveitamento de recursos.
Essa formação acompanha um movimento internacional. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a indústria da moda gera cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano, impulsionando iniciativas voltadas à economia circular e ao desenvolvimento de processos produtivos com menor impacto ambiental.
Ao incorporar esses temas ainda na universidade, os estudantes desenvolvem competências que acompanham uma demanda crescente por produtos mais duráveis, uso consciente de matérias-primas e soluções capazes de reduzir desperdícios ao longo da cadeia produtiva.
Amazônia inspira pesquisa, materiais e novas soluções
O primeiro bloco do desfile teve a Amazônia como principal referência. Joatan Sant apresentou uma coleção inspirada na ancestralidade e nos saberes manuais, combinando pesquisa cultural e domínio técnico na construção das peças.
Já Larissa Pontes utilizou o saco de ráfia como matéria-prima da criação. Tradicionalmente empregado no transporte de grãos e produtos agrícolas, o material foi ressignificado em uma composição que preserva sua textura original e incorpora tela metálica e miçangas para representar a riqueza orgânica da floresta.
Mais do que uma inspiração estética, a Amazônia aparece como fonte de pesquisa para novas possibilidades de criação. O aproveitamento de materiais e referências brasileiras amplia o repertório dos futuros profissionais e fortalece soluções ligadas à moda consciente.
Economia circular aproxima universidade e mercado
Entre os formandos, a sustentabilidade tornou-se elemento central das coleções finais. Alice Fragoso substituiu o tradicional patchwork pela palha como protagonista de um look construído com fibras sobrepostas e trama em macramê, ampliando as possibilidades de aplicação de materiais naturais.
A economia circular na moda sustentável busca manter materiais e produtos em uso pelo maior tempo possível por meio da reutilização, do reaproveitamento, do reparo e da reciclagem. Esse modelo reduz resíduos e diminui a necessidade de novas matérias-primas, princípios que vêm orientando mudanças em diferentes segmentos da cadeia do vestuário.
Também entre os concluintes, Artur Fragoso apresentou uma coleção inspirada na artista Maria Auxiliadora da Silva. Patchwork, bordados, franjas e sobreposições traduziram para a passarela características marcantes de sua obra, aproximando arte popular, patrimônio cultural e criação de moda sustentável.
Moda sustentável: Formação prática prepara profissionais para um setor em transformação
O desfile de encerramento do semestre funciona como uma oportunidade para que os estudantes experimentem etapas semelhantes às encontradas no mercado, incluindo pesquisa, criação, modelagem e desenvolvimento de coleções completas.
Segundo o PNUMA, a transição para modelos mais sustentáveis depende da atuação conjunta de universidades, empresas, consumidores e governos. Projetos acadêmicos permitem testar ideias e materiais que podem contribuir para processos produtivos mais eficientes e com menor geração de resíduos.
Outro dado das Nações Unidas reforça esse desafio: o equivalente a um caminhão de lixo cheio de roupas é descartado ou incinerado a cada segundo em todo o mundo. Nesse cenário, iniciativas como o desfile do IESB mostram como a formação de novos designers pode estimular soluções que valorizam matérias-primas, ampliam o reaproveitamento de recursos e acompanham uma transformação que tende a influenciar o desenvolvimento de coleções e práticas da indústria nos próximos anos.
