Vão do Paranã troca a seca pela produção de frutas e muda a vida de agricultores em Goiás

O Vão do Paranã vive uma mudança impulsionada pela irrigação e pela fruticultura. Conheça como a água mudou a realidade de agricultores familiares em Goiás.
A região, antes conhecida pelas secas prolongadas, passou a expandir a produção agrícola com apoio da irrigação e da assistência técnica, fortalecendo a agricultura familiar e a produção de frutas.
Agricultores do Vão do Paranã passaram a investir na fruticultura irrigada, transformando áreas marcadas pela seca em fonte de renda para as famílias. (Foto: Globo Rural)

Conhecido durante décadas como corredor da miséria por causa da pobreza extrema e das secas prolongadas, o Vão do Paranã começou a escrever uma nova história. A chegada da irrigação permitiu que agricultores familiares transformassem áreas antes improdutivas em plantações de frutas, criando novas oportunidades de renda no nordeste de Goiás.

Atualmente, a iniciativa já beneficia 80 produtores rurais e deverá alcançar 250 famílias com irrigação em 500 hectares. O investimento de R$ 23 milhões, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e financiado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), levou água, assistência técnica e alternativas de cultivo para a região.

Entre as famílias beneficiadas está a agricultora Júlia Pereira de Andrade, moradora de um assentamento em Flores de Goiás. Depois de passar dois anos sem água na propriedade, ela passou a cultivar maracujá e manga graças à perfuração de um poço artesiano, transformando um terreno antes utilizado apenas para o consumo da família em uma lavoura comercial.

Com isso, a produção de frutas começou a mudar a imagem da região. O território, durante muitos anos associado à escassez, passa a reunir condições para gerar renda ao longo do ano e favorecer a permanência das famílias no campo.

Água subterrânea abriu caminho para o cultivo

Cercado pela Chapada dos Veadeiros e pela Serra Geral de Goiás, o Vão do Paranã reúne características geológicas que favorecem o acúmulo de água subterrânea. Essa condição facilita a perfuração de poços e garante abastecimento para a produção agrícola durante todo o ano.

Assim, agricultores familiares passaram a investir em culturas de maior valor comercial e menos dependentes da sazonalidade das chuvas. O resultado é uma produção mais estável e com melhores oportunidades de comercialização.

Além da irrigação, os produtores recebem orientação técnica para definir o manejo das lavouras e diversificar os cultivos. Dessa forma, o acompanhamento contribui para ampliar a oferta de frutas produzidas na região.

Fruticultura levou renda para as famílias

Na propriedade de Júlia, segundo o Globo Rural, um hectare foi destinado ao maracujá e outro à manga. Enquanto o maracujá começa a gerar renda em cerca de seis meses, a manga exige aproximadamente quatro anos para iniciar a produção, mas oferece retorno por um período mais longo.

Antes da chegada da água, a família dependia da agricultura de subsistência e o marido da agricultora trabalhava como tratorista fora da propriedade para complementar o orçamento. Hoje, o cultivo das frutas se tornou a principal atividade da chácara.

Além da renda, a rotina da família também mudou. Antes da perfuração do poço, Júlia percorria quilômetros para buscar água destinada às necessidades básicas da casa. Agora, a propriedade abastece a residência e produz excedentes para comercialização.

Cultivo de frutas fortalece a economia do Vão do Paranã

Segundo o pesquisador José Carlos Sousa, da Embrapa, a irrigação permite manter a fruticultura o ano, reduzindo a dependência das chuvas e oferecendo uma fonte de renda mais regular aos agricultores. A produção contínua também facilita o planejamento das lavouras e a venda das frutas.

Ao mesmo tempo, o cultivo de espécies com ciclos diferentes amplia as possibilidades de receita das famílias. Enquanto o maracujá gera retorno em poucos meses, a manga representa uma alternativa de longo prazo, equilibrando a produção ao longo dos anos.

Desse modo, o Vão do Paranã começa a consolidar uma economia baseada na fruticultura irrigada. A região, antes lembrada pela escassez, passa a ser reconhecida pelo trabalho das famílias agricultoras, que transformaram a disponibilidade de água em produção e geração de renda.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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