Brasileira usa casca de camarão para proteger concreto da corrosão e ganha destaque internacional

Estudante da FURG usa casca de camarão em pesquisa que busca proteger estruturas de concreto da corrosão. Entenda como funciona.
Casca de camarão integra pesquisa desenvolvida por Júlia Borges Telmo, estudante da FURG selecionada para apresentar o trabalho em seminário internacional no México.
Pesquisa com casca de camarão utiliza quitina obtida do exoesqueleto do crustáceo para reduzir a porosidade do concreto. (Foto: Divulgação/FURG)

Cascas de camarão descartadas pela cadeia pesqueira passaram a integrar uma pesquisa que busca proteger estruturas de concreto contra corrosão em regiões costeiras. Desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o estudo utiliza quitina extraída do exoesqueleto do crustáceo para reduzir a porosidade do material e dificultar a entrada de agentes contaminantes.

A autora é Júlia Borges Telmo, estudante de Engenharia Civil Costeira e Portuária. O trabalho foi selecionado para apresentação na segunda-feira (30/06), durante um seminário internacional realizado na Cidade do México.

A substância é incorporada ao Concreto de Alto Desempenho produzido pela Escola de Engenharia da universidade. O objetivo é aumentar a proteção das armaduras metálicas presentes nas estruturas.

A iniciativa também cria uma nova destinação para resíduos gerados pelo processamento de camarões, incorporando um material normalmente descartado a uma solução voltada à durabilidade das construções.

Casca de camarão dificulta a entrada de agentes que degradam o concreto

O estudo concentra esforços na redução da porosidade efetiva do material. Quanto menor a quantidade de espaços internos, maior a dificuldade para a circulação de substâncias capazes de atingir componentes metálicos presentes na estrutura.

Entre os agentes monitorados estão cloretos e dióxido de carbono. Quando alcançam as armaduras de aço, esses elementos favorecem processos que comprometem a durabilidade das construções.

Segundo Júlia, a presença da quitina cria uma barreira adicional dentro da matriz cimentícia. Essa característica pode preservar estruturas instaladas em locais sujeitos à forte influência da maresia.

Casca de camarão pode prolongar a vida útil de estruturas próximas ao mar

Cidades litorâneas convivem com condições ambientais mais severas para obras de infraestrutura. A combinação de umidade elevada e sais transportados pelo vento acelera o desgaste de materiais utilizados em edifícios, pontes, píeres e instalações portuárias.

Nesse ambiente, soluções que dificultam a chegada de contaminantes ao interior do concreto podem manter o desempenho estrutural por mais tempo e reduzir intervenções ligadas à deterioração dos materiais.

Rio Grande reúne características semelhantes às de diversas áreas costeiras brasileiras, onde a exposição contínua à maresia impõe exigências maiores às construções. Foi nesse ambiente que a equipe da FURG desenvolveu o estudo.

Resíduo da pesca vira matéria-prima para concreto

O projeto também propõe uma destinação para resíduos produzidos durante o processamento de camarões. As cascas contêm quitina, composto natural utilizado em diferentes aplicações industriais e científicas.

Ao incorporar esse material ao concreto de alto desempenho, o estudo associa engenharia e reaproveitamento de resíduos em uma mesma solução. A iniciativa busca inserir um subproduto da cadeia pesqueira em uma aplicação ligada à infraestrutura.

As cascas utilizadas no estudo passam a integrar uma aplicação voltada à infraestrutura, convertendo um resíduo da cadeia pesqueira em insumo para materiais de construção. O trabalho une durabilidade estrutural e aproveitamento de subprodutos em uma mesma linha de pesquisa.

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