Cientistas criam concreto com bactérias que pode aumentar a vida útil de pontes e edifícios

Concreto com bactérias reparou fissuras sozinho em laboratório e pode aumentar a durabilidade de grandes obras. Entenda como funciona a tecnologia.
Amostra de concreto com bactérias apresenta fissura preenchida por cristais durante experimento em laboratório.
Concreto com bactérias utiliza microrganismos para fechar pequenas fissuras automaticamente durante os testes em laboratório. (Foto: IA / Olhar Digital)

Um concreto com bactérias desenvolvido por pesquisadores reparou automaticamente fissuras de até 1 milímetro em testes de laboratório e pode aumentar a vida útil de pontes, edifícios, túneis e reservatórios. A tecnologia utiliza a bactéria Bacillus subtilis para selar pequenas rachaduras que surgem ao longo do uso da estrutura. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.

Apoio

Nos experimentos, o reparo foi concluído em até 21 dias nas condições avaliadas. Além disso, a formulação apresentou 9,27% de aumento na resistência à compressão em comparação com a utilizada como referência pelos pesquisadores.

Fissuras microscópicas favorecem a entrada de água e de substâncias que aceleram a deterioração do concreto. Ao vedar essas aberturas logo no início, a tecnologia pode reduzir a necessidade de manutenção durante a vida útil das construções.

Embora ainda esteja em fase experimental, a tecnologia demonstra como a biotecnologia pode ser incorporada aos materiais de construção. Dessa forma, microrganismos e engenharia civil passam a atuar em conjunto para limitar danos antes que eles se tornem maiores.

Concreto com bactérias fecha rachaduras

Durante a fabricação, o material recebe esporos da bactéria Bacillus subtilis, que permanecem inativos enquanto o concreto está íntegro.

Quando a água penetra pelas pequenas rachaduras, os microrganismos são ativados e passam a produzir carbonato de cálcio. Com isso, o mineral preenche a abertura e impede o avanço da fissura.

Segundo os pesquisadores, esse mecanismo atuou de forma autônoma nas amostras analisadas, sem necessidade de reparo manual durante os testes.

Tecnologia pode reduzir a manutenção de grandes obras

Além de fechar as rachaduras, o concreto bacteriano dificulta a entrada de cloretos e de outros agentes que aceleram a corrosão das armaduras metálicas. Com isso, componentes responsáveis pela estabilidade estrutural permanecem mais protegidos.

Os pesquisadores indicam que o concreto que se regenera poderá ser empregado em obras sujeitas à umidade constante, como túneis, reservatórios, canais, sistemas de saneamento e barragens. Nesses locais, intervenções costumam exigir investimentos elevados e interrupções nas operações.

Os ensaios também registraram ganho de resistência à compressão em amostras produzidas com areia manufaturada, resultado que amplia o conjunto de evidências obtidas durante a pesquisa.

Material autorregenerável ainda depende de novos estudos

Os autores informam que novas pesquisas serão necessárias antes da aplicação em obras de grande porte. As próximas etapas deverão avaliar o desempenho do material em diferentes condições ambientais e por períodos mais longos.

Até lá, os resultados publicados na Scientific Reports fornecem evidências de que a tecnologia poderá avançar para aplicações na construção civil após a validação em condições reais de uso.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp