Áreas protegidas avançam com 13 mil hectares e fortalecem água, biodiversidade e clima

Áreas protegidas ganharam reforço durante a UCBIO 2026 com novos territórios destinados à conservação. Entenda como a medida beneficia água, biodiversidade e adaptação climática.
Participantes acompanham debates da UCBIO 2026 sobre áreas protegidas, biodiversidade e adaptação climática em Curitiba.
Especialistas, gestores e representantes de organizações ambientais participam da UCBIO 2026, conferência que aprovou a Carta de Curitiba e impulsionou a expansão de áreas protegidas no Brasil. (foto: Kelly Cristina)

A ampliação das áreas protegidas ganhou novo impulso durante a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade (UCBIO 2026), encerrada no dia 9 de junho, em Curitiba. O encontro reuniu especialistas, gestores e organizações ambientais e terminou com a aprovação da Carta de Curitiba e o anúncio de cerca de 13 mil hectares destinados à criação e expansão de unidades de conservação no Paraná.

Além de ampliar territórios conservados, a iniciativa fortalece a proteção de fontes de água, contribui para atividades econômicas ligadas ao campo e amplia a capacidade de adaptação dos ecossistemas diante de eventos climáticos extremos.

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A conferência também marcou a retomada de um fórum nacional dedicado exclusivamente às unidades de conservação após oito anos sem uma edição voltada a esse tema. A volta do encontro reuniu diferentes setores ligados à gestão ambiental em torno de prioridades comuns para o país.

Entre os resultados alcançados está a consolidação de uma agenda que conecta preservação ambiental, proteção territorial e desenvolvimento sustentável. A aprovação unânime da Carta de Curitiba transformou esse consenso em uma manifestação formal apresentada ao poder público, com foco na ampliação e na gestão qualificada de áreas consideradas estratégicas para água, biodiversidade brasileira e resiliência climática.

Áreas protegidas ganham espaço na preparação dos territórios para eventos climáticos

O documento aprovado durante a UCBIO 2026 defende a criação, implantação e gestão adequada das unidades de conservação de proteção integral. A proposta atribui a esses territórios um papel estratégico na preservação dos ecossistemas e na adaptação às mudanças do clima.

Nessas áreas, a prioridade é a manutenção dos ambientes naturais, permitindo atividades como pesquisa científica, educação ambiental e visitação controlada, de acordo com as regras estabelecidas para cada unidade.

Durante os debates, especialistas associaram a manutenção desses ambientes à proteção de mananciais, à regulação dos ciclos hídricos e ao suporte de atividades econômicas como agricultura e turismo de natureza. Esses benefícios estão entre os serviços ecossistêmicos fornecidos por áreas conservadas em diferentes regiões do país.

O anúncio feito pelo governo paranaense representa um dos resultados concretos apresentados no evento. Os cerca de 13 mil hectares previstos para novas iniciativas de conservação ampliam a cobertura territorial destinada à preservação ambiental e ao fortalecimento da adaptação climática.

Áreas protegidas: Unidades de conservação voltam ao centro das políticas ambientais

A retomada da conferência após oito anos criou um espaço nacional para discussão exclusiva sobre unidades de conservação. O encontro reuniu pesquisadores, estudantes, organizações da sociedade civil e gestores públicos envolvidos na gestão desses territórios protegidos.

Na abertura do evento, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Antônio Herman Benjamin, afirmou que a criação de uma unidade de conservação precisa ser acompanhada por investimentos permanentes em estrutura e equipes técnicas para garantir sua efetividade.

As discussões também contaram com a participação do ecólogo John Terborgh, referência internacional em ecologia tropical, que abordou a contribuição dos parques nacionais para a meta global que prevê 30% dos territórios protegidos até 2030.

Reconhecimento e mobilização ampliam a proteção da natureza

O encerramento da conferência teve ainda a participação do ativista Paul Watson, fundador da Sea Shepherd. Em sua apresentação, ele associou a proteção dos oceanos à manutenção dos sistemas naturais que sustentam a vida no planeta.

Outro marco da programação foi a entrega da primeira edição do Prêmio Miguel Milano de Conservação da Natureza. Os ambientalistas Germano Woehl Jr. e Elza Nishimura Woehl receberam R$ 100 mil pelo trabalho desenvolvido na proteção da Mata Atlântica em Santa Catarina por meio do Instituto Rã-Bugio.

A mobilização promovida pela Rede Pró-UC e pela Associação Caatinga ocorre em um período de crescente atenção internacional às estratégias de adaptação climática. Realizada meses antes da COP30, em Belém, a conferência reuniu propostas voltadas ao fortalecimento das áreas protegidas, da conservação da biodiversidade e da proteção ambiental no Brasil como instrumentos de preparação diante dos efeitos das mudanças climáticas.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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