Aos 15 anos, o estudante Samuel Florêncio de Brito encontrou uma forma de reciclar a película protetora das figurinhas da Copa do Mundo e evitar que o material termine em aterros sanitários. Nesta quarta-feira (17/06), a iniciativa ganhou visibilidade ao criar uma rota de reaproveitamento para um descarte rejeitado pela reciclagem convencional.
Aluno do 2º ano do Ensino Médio do Serviço Social da Indústria (Sesi), Samuel descobriu que a película não costuma ser aceita pelos sistemas tradicionais de reciclagem por causa da camada de silicone presente em sua composição. Por isso, grande parte desse resíduo segue para descarte sem reaproveitamento.
Em vez de tratar a descoberta apenas como uma curiosidade, o estudante decidiu buscar uma solução dentro da própria escola. A ideia surgiu após assistir a um vídeo sobre o tema e perceber que o descarte acontecia diariamente entre colegas que abriam pacotes de figurinhas.
Assim, uma observação feita durante a rotina escolar deu origem a um sistema de coleta capaz de encaminhar o resíduo para reciclagem especializada e r eduzir o volume destinado aos aterros.
Projeto criado por estudante dá novo destino ao papel
O componente localizado atrás das figurinhas adesivas é conhecido como liner. Apesar da aparência semelhante à do papel comum, ele contém uma camada de silicone que dificulta o processamento pelas cooperativas tradicionais.
Diante dessa característica, Samuel passou a procurar uma forma de reunir o material antes que ele fosse misturado a outros resíduos. A solução encontrada foi simples e aproveitou espaços já frequentados pelos colecionadores.
Caixas de papelão foram instaladas em pontos onde os estudantes costumam abrir pacotes de figurinhas da Copa. Assim, a coleta acontece exatamente no momento em que a película é descartada.
Reciclagem de figurinhas exige tratamento diferente do papel comum
Depois de recolhido, o conteúdo das caixas segue para uma recicladora localizada em Guarulhos, no estado de São Paulo. A empresa trabalha com materiais que exigem processamento específico para retornar ao ciclo produtivo.
Segundo o reciclador Ailton Alves, o procedimento utilizado separa o silicone das fibras presentes na película protetora. Em seguida, o papel recuperado pode ser reaproveitado pela indústria.
Com isso, um componente que normalmente ficaria sem destinação adequada ganha uma nova utilização. Além disso, o processo reduz a quantidade enviada para aterros.
Papel de figurinha da Copa amplia atenção para resíduos pouco conhecidos
Muitos materiais permanecem fora das discussões sobre reciclagem porque passam despercebidos pela maior parte da população. O liner das figurinhas está entre eles.
Nesse sentido, a iniciativa ajuda a ampliar o conhecimento sobre componentes que exigem tratamento diferente daquele aplicado ao papel convencional. Para muitos colecionadores, essa característica ainda é desconhecida.
Com as caixas de coleta instaladas na escola e o envio do conteúdo para processamento especializado, a iniciativa transformou um resíduo sem reaproveitamento em matéria-prima capaz de retornar ao ciclo produtivo.
