Falsos médicos que anunciam consultas, tratamentos e especialidades nas redes sociais passarão a ser rastreados por uma nova ferramenta de inteligência artificial lançada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A plataforma entrou na estratégia nacional de fiscalização da entidade e será usada pelos conselhos regionais para localizar irregularidades em ambientes digitais.
A tecnologia fará buscas automatizadas na internet para localizar indícios de irregularidades, enquanto as equipes de fiscalização analisarão cada caso antes da adoção de medidas administrativas ou judiciais.
O lançamento ocorre após o registro de mais de 9 mil ocorrências ligadas ao exercício irregular da medicina entre 2012 e 2023. Atualmente, os conselhos recebem, em média, duas denúncias por dia relacionadas a esse tipo de prática.
O lançamento eleva o uso da inteligência artificial para uma área pouco comum nos sistemas regulatórios de saúde: a fiscalização do exercício profissional. Em outros países, aplicações semelhantes costumam se concentrar em fraudes financeiras, falsificação de documentos ou conteúdos manipulados digitalmente.
Como a nova IA vai identificar falsos médicos
A plataforma utilizará informações dos registros médicos oficiais, históricos de fiscalizações e dados públicos disponíveis na internet. O sistema também poderá realizar cruzamentos com bases externas, incluindo informações da Receita Federal.
Quando identificar possíveis inconsistências, a tecnologia produzirá alertas para análise dos fiscais dos conselhos regionais. As equipes de fiscalização validarão cada ocorrência antes de aplicar qualquer medida administrativa.
Segundo Jeancarlo Cavalcante, responsável pelo Departamento de Inteligência Artificial do CFM, conselho desenvolveu a ferramenta para ampliar a identificação de irregularidades e acelerar o trabalho dos órgãos de fiscalização.
Sistema cruza dados de médicos e perfis online
Uma das funções da plataforma será verificar profissionais que anunciam especialidades médicas sem possuírem o registro correspondente junto aos conselhos.
O sistema poderá capturar informações divulgadas em perfis públicos, identificar o número de CRM informado e comparar automaticamente os dados com os registros oficiais. Divergências encontradas seguirão para investigação dos setores responsáveis.
Além dos registros médicos oficiais, a plataforma poderá cruzar informações com bases públicas, incluindo dados da Receita Federal, ampliando a capacidade de localizar inconsistências em perfis que oferecem serviços médicos.
Ferramenta pode aumentar fiscalizações em 30%
Nos últimos dez anos, os conselhos de medicina realizaram aproximadamente 130 mil fiscalizações em cerca de 4,9 mil municípios brasileiros. A expectativa da entidade é ampliar esse volume em 30% durante os próximos dois anos.
Com a nova ferramenta, a fiscalização baseada principalmente em denúncias passa a contar com monitoramento contínuo e análise de dados.
Antes da entrada plena em operação, os CRMs passarão por treinamento e capacitação. A implementação ocorrerá de forma gradual, acompanhando o cronograma definido pelo Conselho Federal de Medicina para todo o país.
