Crianças retiradas do trabalho infantil chegaram a 4.318 em todo o Brasil durante 2025, resultado de 10.234 ações fiscais realizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os números foram divulgados na sexta-feira (12/06), Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, e representam o maior volume de fiscalização da última década.
Mais do que uma estatística, os afastamentos significaram a retirada de milhares de meninos e meninas de ambientes que colocavam em risco sua saúde, segurança e desenvolvimento. A operação alcançou atividades presentes no comércio, na alimentação, em oficinas mecânicas e em segmentos industriais.
Os dados mostram que a proteção alcançou principalmente situações mais severas. Em 2025, mais de 70% dos casos identificados estavam classificados entre as piores formas de trabalho infantil, categoria reservada a atividades capazes de causar danos físicos, psicológicos ou morais.
Os afastamentos interromperam atividades proibidas para crianças e adolescentes e permitiram o acionamento da rede de proteção social prevista na legislação brasileira. A medida amplia o acesso à educação, à saúde e ao acompanhamento por serviços de assistência social.
Crianças retiradas do trabalho infantil revelam alcance das ações
O volume de operações realizadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho demonstra aumento da capacidade de identificação de casos de exploração infantil. As 10.234 fiscalizações executadas em 2025 formam o maior resultado registrado nos últimos dez anos.
Os estados com mais afastamentos foram Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.
As inspeções concentraram esforços em atividades historicamente associadas ao uso de mão de obra infantil. Comércio varejista, restaurantes, lanchonetes, supermercados, serviços ambulantes de alimentação e oficinas mecânicas aparecem entre os principais locais fiscalizados.
A concentração das ações nesses setores permitiu localizar ocorrências em ambientes tradicionalmente associados ao trabalho precoce e ampliar a proteção da infância em atividades consideradas inadequadas para menores de idade.
Combate ao trabalho infantil alcança situações de maior risco
Um dos dados mais relevantes do levantamento está na gravidade dos casos encontrados. A maior parte dos afastamentos ocorreu em ocupações classificadas como inadequadas para crianças e adolescentes por oferecerem riscos elevados.
Nos primeiros quatro meses de 2026, a tendência permaneceu. Entre janeiro e abril, 1.108 jovens foram retirados de situações de trabalho infantil após 2.901 ações fiscais realizadas em todo o território nacional.
Nesse período, 76,99% dos registros estavam enquadrados entre as piores formas de exploração infantil. O percentual supera o observado no ano anterior e indica que as operações continuam alcançando ocorrências de alta vulnerabilidade.
A predominância de casos graves mostra que a fiscalização está chegando justamente aos ambientes onde os riscos à integridade física, ao desenvolvimento emocional e à permanência escolar são maiores.
crianças retiradas do trabalho infantil: O que muda
Além de interromper atividades proibidas, as ações integram uma política pública voltada à proteção integral da infância. O trabalho desenvolvido pela Inspeção do Trabalho atua em articulação com conselhos tutelares e demais instituições da rede de proteção.
Segundo o Ministério do Trabalho, o objetivo inclui encaminhar crianças e adolescentes para políticas capazes de reduzir vulnerabilidades sociais e econômicas associadas à exploração precoce do trabalho.
O combate ao trabalho infantil também integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A meta 8.7 prevê a eliminação das piores formas de trabalho infantil e a erradicação dessa prática em todas as suas modalidades.
Nos primeiros meses de 2026, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Espírito Santo registraram os maiores quantitativos de afastamentos. Paraná e Goiás passaram a integrar o grupo dos estados com maior volume de casos identificados no período.
Estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) associam o trabalho infantil a maiores índices de atraso escolar e abandono dos estudos. A retirada precoce dessas atividades amplia as condições de permanência na educação básica e reduz fatores ligados à exclusão social.
Quando uma criança deixa uma atividade de exploração e permanece na escola, aumentam as possibilidades de conclusão dos estudos, qualificação profissional e ingresso futuro em ocupações formais. Os efeitos alcançam a renda familiar, a produtividade econômica e o desenvolvimento das comunidades.
Como denunciar trabalho infantil
Casos suspeitos podem ser comunicados por meio do Sistema Ipê Trabalho Infantil, canal nacional disponibilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego para recebimento de denúncias.
A ferramenta auxilia os órgãos de fiscalização na identificação de ocorrências, no direcionamento das inspeções e na adoção de medidas de proteção para crianças e adolescentes encontrados em situação de exploração.
Além de contribuir para a interrupção de violações de direitos, o sistema fortalece a participação da sociedade no combate ao trabalho infantil e no encaminhamento de novos casos à rede de proteção.
