Forró nas escolas: Alece transforma patrimônio cultural em aprendizado permanente no Ceará

Forró nas escolas passa a integrar o ensino estadual do Ceará após aprovação da Alece. Veja como a medida une educação, patrimônio cultural e identidade nordestina.
Casal dança forró durante evento cultural que representa uma das principais manifestações da cultura nordestina, tema aprovado pela Alece para integração nas escolas do Ceará.
Projeto aprovado pela Alece prevê o estudo do forró na rede estadual como forma de valorizar a cultura nordestina e preservar o patrimônio cultural brasileiro. (Foto: Reprodução)

O projeto que institui o forró nas escolas da rede estadual do Ceará foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) na quarta-feira (10/06). A proposta transforma um dos principais símbolos culturais do Nordeste em conteúdo pedagógico permanente, ampliando o contato dos estudantes com a história, os artistas e as tradições ligadas ao gênero musical.

A iniciativa foi apresentada pelo presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), autor do Projeto de Lei 593/25. O texto incorpora o tema às atividades escolares sem criar uma disciplina específica, utilizando componentes curriculares já presentes na rede pública.

Apoio

O modelo aprovado prevê que o ensino do forró contemple aspectos históricos, culturais, artísticos e sociais. Os conteúdos incluem a origem do gênero, sua evolução ao longo das décadas, seus mestres, manifestações contemporâneas e o reconhecimento do forró como Patrimônio Cultural do Brasil.

A medida amplia o contato dos estudantes com elementos da história e da identidade nordestina por meio de conteúdos que já fazem parte da cultura da região. Ao integrar o tema ao currículo, o conhecimento sobre o forró passa a ter presença permanente no ambiente escolar.

Cultura nordestina nas escolas ganha espaço além das comemorações

A proposta estabelece que o tema seja trabalhado de forma transversal em componentes já presentes no currículo. Professores poderão relacionar conteúdos escolares a elementos da cultura popular brasileira sem alterar a estrutura atual da grade de ensino.

Em História, letras de músicas poderão ser utilizadas para abordar movimentos populacionais e transformações sociais associadas ao Nordeste. Em Geografia, o tema poderá auxiliar na compreensão de processos territoriais e culturais da região.

Nas aulas de Artes, ritmos, instrumentos e expressões ligadas ao gênero passam a servir como ferramentas de aprendizagem. Com isso, a cultura nordestina nas escolas deixa de aparecer apenas em eventos pontuais e passa a integrar o processo formativo dos estudantes.

Alece conecta educação e preservação cultural

A justificativa do projeto cita o Ceará como território de importantes representantes do gênero, entre eles Waldonys. O texto defende que o estado lidere iniciativas voltadas à preservação de um patrimônio que integra a identidade cultural brasileira.

Em 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil. O registro contempla expressões como baião, xote, xaxado e forró pé de serra, consideradas referências da cultura popular brasileira.

Ao aprovar a matéria, a Alece transforma o forró em conteúdo permanente da rede estadual, conectando preservação cultural e ensino público em uma mesma política educacional. A medida amplia as possibilidades de transmissão desse conhecimento para novas gerações.

Forró nas escolas: Educação patrimonial fortalece a identidade cultural

O projeto percorreu as comissões de Constituição, Educação, Trabalho e Orçamento entre outubro de 2025 e junho de 2026, recebendo pareceres favoráveis durante toda a tramitação antes da aprovação em plenário.

A proposta reconhece o potencial da escola como ambiente de preservação da memória cultural. A iniciativa também dialoga com o conceito de educação patrimonial, utilizado por instituições culturais para promover o conhecimento e a preservação de bens culturais transmitidos entre gerações.

Além do aprendizado sobre ritmos e artistas, a medida amplia o acesso dos estudantes a aspectos históricos e sociais ligados à formação do Nordeste. O projeto leva para a sala de aula um dos principais patrimônios imateriais brasileiros reconhecidos oficialmente, aproximando os jovens de referências que ajudam a compreender a trajetória cultural da região.

Após a aprovação na Alece, a proposta segue para análise do governador Elmano de Freitas (PT), responsável pela sanção ou veto do texto que institui o forró na educação da rede estadual cearense.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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