O Brasil iniciou uma nova campanha de coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas. Até a próxima sexta-feira (28/08), parentes podem procurar gratuitamente um dos 342 postos distribuídos pelas 27 unidades da Federação para fornecer material genético.
As amostras ajudam a comparar o DNA das famílias com perfis de pessoas encontradas vivas ou mortas que ainda não foram identificadas. O objetivo é tentar estabelecer uma relação genética e, assim, ajudar a dar respostas a casos de desaparecimento.
Esse tipo de comparação já produziu resultados. As três mobilizações nacionais anteriores, realizadas em 2021, 2024 e 2025, contribuíram para 112 identificações de pessoas desaparecidas, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A coleta desta semana é a quarta campanha nacional. Ela concentra os atendimentos, mas familiares que não conseguirem comparecer nesse período poderão fornecer uma amostra posteriormente. Não existe prazo máximo desde o desaparecimento para participar.
Coleta de DNA cruza informações de famílias e pessoas não identificadas
O material recolhido dos familiares entra na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). Os sistemas estaduais e o banco nacional permitem comparar esses perfis com o DNA de pessoas cuja identidade ainda é desconhecida.
Desde a criação da rede, em 2013, as comparações relacionadas a desaparecimentos já resultaram em 815 identificações. O número é mais amplo que o das campanhas nacionais e considera todo o período de funcionamento da RIBPG.
A base disponível para essas análises também cresceu. Desde 2021, os perfis de pessoas desaparecidas vivas ou falecidas cadastrados na rede passaram de cerca de 3 mil para mais de 14 mil. Até julho de 2026, havia ainda mais de 10 mil perfis genéticos de familiares.
Família não precisa estar no local onde ocorreu o desaparecimento
Para participar da coleta de DNA, é preciso apresentar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento. Quem ainda não registrou o caso deve procurar uma delegacia antes de fornecer a amostra.
O procedimento é rápido, gratuito e não exige retirada de sangue. Um profissional passa um cotonete na parte interna da bochecha. A recomendação é priorizar parentes próximos, como pai, mãe, filhos e irmãos biológicos.
Também não é necessário procurar um posto no estado onde a pessoa desapareceu. A doação pode ser feita em qualquer ponto oficial do país. Se uma comparação resultar em identificação, o laudo segue para a delegacia responsável pelo caso, que entra em contato com a família.