Brasil inicia campanha de coleta de DNA para ajudar famílias a identificar desaparecidos

Brasil mantém 342 postos para coleta de DNA de familiares de desaparecidos. Três campanhas anteriores contribuíram para 112 identificações.
Coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas durante campanha nacional no Brasil.
Campanha nacional coleta DNA de familiares para ajudar na identificação de pessoas desaparecidas em todo o Brasil. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O Brasil iniciou uma nova campanha de coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas. Até a próxima sexta-feira (28/08), parentes podem procurar gratuitamente um dos 342 postos distribuídos pelas 27 unidades da Federação para fornecer material genético.

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As amostras ajudam a comparar o DNA das famílias com perfis de pessoas encontradas vivas ou mortas que ainda não foram identificadas. O objetivo é tentar estabelecer uma relação genética e, assim, ajudar a dar respostas a casos de desaparecimento.

Esse tipo de comparação já produziu resultados. As três mobilizações nacionais anteriores, realizadas em 2021, 2024 e 2025, contribuíram para 112 identificações de pessoas desaparecidas, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A coleta desta semana é a quarta campanha nacional. Ela concentra os atendimentos, mas familiares que não conseguirem comparecer nesse período poderão fornecer uma amostra posteriormente. Não existe prazo máximo desde o desaparecimento para participar.

Coleta de DNA cruza informações de famílias e pessoas não identificadas

O material recolhido dos familiares entra na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). Os sistemas estaduais e o banco nacional permitem comparar esses perfis com o DNA de pessoas cuja identidade ainda é desconhecida.

Desde a criação da rede, em 2013, as comparações relacionadas a desaparecimentos já resultaram em 815 identificações. O número é mais amplo que o das campanhas nacionais e considera todo o período de funcionamento da RIBPG.

A base disponível para essas análises também cresceu. Desde 2021, os perfis de pessoas desaparecidas vivas ou falecidas cadastrados na rede passaram de cerca de 3 mil para mais de 14 mil. Até julho de 2026, havia ainda mais de 10 mil perfis genéticos de familiares.

Família não precisa estar no local onde ocorreu o desaparecimento

Para participar da coleta de DNA, é preciso apresentar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento. Quem ainda não registrou o caso deve procurar uma delegacia antes de fornecer a amostra.

O procedimento é rápido, gratuito e não exige retirada de sangue. Um profissional passa um cotonete na parte interna da bochecha. A recomendação é priorizar parentes próximos, como pai, mãe, filhos e irmãos biológicos.

Também não é necessário procurar um posto no estado onde a pessoa desapareceu. A doação pode ser feita em qualquer ponto oficial do país. Se uma comparação resultar em identificação, o laudo segue para a delegacia responsável pelo caso, que entra em contato com a família.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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