Foram 41 anos atrás das grades, grande parte deles sob uma condenação à morte. Agora, aos 71 anos, Douglas Stewart Carter deixou a prisão em Utah, nos Estados Unidos, depois que um novo exame de DNA enfraqueceu ainda mais a acusação pelo assassinato de Eva Olesen, cometido em 1985.
A análise excluiu Carter como possível fonte do sangue encontrado em uma maçaneta e do material genético recuperado do cabo de uma faca usada no crime. Depois do resultado, a promotoria desistiu de pedir novamente a pena de morte e passou a reavaliar as provas restantes.
A libertação ocorreu sob fiança. Carter terá de usar um monitor por GPS e não poderá manter contato com a família da vítima enquanto aguarda os próximos passos do processo. Ele ainda não foi formalmente declarado inocente, e uma acusação de homicídio permanece pendente.
Mas o DNA não é o primeiro elemento a colocar a condenação em dúvida. Anos antes do novo exame, a Justiça já havia identificado problemas graves na investigação e no julgamento que levaram Carter ao corredor da morte.
Caso do homem preso injustamente já tinha condenação anulada
Quando Carter foi condenado pelo assassinato de Eva Olesen, nenhuma prova física o ligava à cena do crime. A acusação se apoiava principalmente em uma confissão assinada por ele e no depoimento de duas testemunhas. Carter afirma que confessou depois de ser coagido por policiais.
Décadas depois, as duas testemunhas disseram que policiais as pressionaram a fazer declarações falsas. Segundo os relatos apresentados à Justiça, elas receberam dinheiro e outros benefícios e foram orientadas a esconder essa ajuda durante o julgamento. Também afirmaram ter sofrido ameaças relacionadas à deportação.
Em maio de 2025, a Suprema Corte de Utah confirmou a anulação da condenação. A decisão apontou múltiplos episódios de má conduta intencional envolvendo policiais e um promotor e concluiu que o Estado violou o direito de Carter ao devido processo.
Exame de DNA trouxe uma nova reviravolta
Com o caso reaberto, novas análises foram feitas em materiais preservados da cena do assassinato. Os resultados recebidos pela promotoria em setembro excluíram Carter dos perfis genéticos obtidos do sangue na maçaneta e do cabo da faca.
O juiz Derek Pullan considerou que a descoberta enfraqueceu ainda mais a acusação e autorizou Carter a esperar em liberdade pelo novo julgamento. A promotoria também retirou formalmente a intenção de buscar outra condenação à morte.
A família de Eva Olesen se opôs à libertação. Para os familiares, a ausência do DNA de Carter nesses vestígios não prova que ele não estivesse presente quando o crime ocorreu. O juiz também ressaltou que, apesar das novas evidências, o processo ainda não terminou.
Após 41 anos, caso ainda deixa perguntas sem resposta
A defesa quer agora que a acusação seja arquivada. Para os advogados de Carter, o resultado do exame deve ser analisado junto às irregularidades já reconhecidas pela Suprema Corte e à ausência de evidência física que o vinculasse originalmente ao local do crime.
Também continua sem resposta outra questão: quem matou Eva Olesen? A defesa sustenta que outras linhas de investigação e possíveis suspeitos não receberam a devida atenção. Até agora, porém, nenhuma outra pessoa foi judicialmente responsabilizada pelo homicídio.
Por enquanto, o homem preso injustamente por mais de quatro décadas, segundo a tese sustentada por sua defesa, recupera a liberdade enquanto a Justiça decide se haverá um novo julgamento. O exame de DNA mudou sua situação imediatamente, mas a definição sobre o encerramento definitivo do processo ainda depende da promotoria e do tribunal.