Um imóvel em Cascais, Portugal, vai se transformar em um abrigo para mulheres e filhos que precisam deixar situações de violência doméstica. A nova casa terá nove suítes, segurança durante 24 horas e acompanhamento psicológico para as famílias acolhidas.
Por trás do projeto estão Lapo Elkann, herdeiro da família ligada à Fiat, e a mulher, a ex-piloto portuguesa Joana Lemos. A Fundação LAPS, criada por Elkann, recuperou o prédio para receber vítimas consideradas em situação de risco. A inauguração está prevista para 2 de outubro.
O imóvel foi cedido pela Câmara Municipal de Cascais em regime de comodato. Registros públicos do município mostram que a cessão ocorreu em setembro de 2025 e foi avaliada em € 164.911,27. A Fundação LAPS ficou responsável pela recuperação do espaço.
A proposta vai além de oferecer um endereço temporário. As famílias poderão permanecer no local por até seis meses, período em que receberão suporte para buscar autonomia e preparar a saída da casa.
Abrigo para mulheres terá segurança durante 24 horas
A estrutura terá sistema de videovigilância, alarmes nos quartos, monitor permanente e nove suítes. Há ainda espaço infantil, sala de estudos e áreas externas, como horta.
As moradoras também terão acesso a atendimento psicológico. Segundo Joana Lemos, a intenção é que o período de acolhimento seja usado não apenas para afastar as vítimas da violência, mas também para ajudá-las a recuperar condições de seguir a vida com independência.
As primeiras famílias já foram selecionadas após sinalização do Tribunal de Família e Menores de Cascais. A gestão cotidiana ficará com o Espaço V, serviço que atende e acompanha vítimas de violência doméstica no município desde 2008.
Crianças são quase metade das pessoas acolhidas em Portugal
O novo espaço terá apenas nove suítes, mas chega a uma rede que recebe milhares de pessoas ao longo do ano. Dados oficiais ajudam a dimensionar quem precisa desse tipo de proteção.
Somente entre abril e junho de 2026, 1.390 pessoas foram acolhidas pela Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica de Portugal. Eram 681 mulheres, 688 crianças e 21 homens. Ou seja, as crianças representaram quase metade dos acolhidos naquele período.
No mesmo trimestre, as autoridades portuguesas contabilizaram 7.871 ocorrências de violência doméstica comunicadas à Guarda Nacional Republicana (GNR) e à Polícia de Segurança Pública (PSP). Outras 6.522 pessoas estavam abrangidas pela medida de proteção por teleassistência.
Casa busca preparar famílias para uma nova moradia
A permanência na Casa LAPS não será definitiva. Durante os seis meses previstos, o trabalho deverá incluir a preparação para que as mulheres recuperem autonomia, encontrem emprego e tenham condições de buscar outra moradia.
A unidade de Cascais será a segunda residência social da Fundação LAPS em Portugal. A primeira foi inaugurada em 2021, na Ilha da Madeira, com uma finalidade diferente: acolher pessoas em situação de rua.
Com a abertura marcada para 2 de outubro, o novo abrigo para mulheres começa com uma capacidade limitada a nove suítes. Para cada família recebida, porém, haverá um prazo concreto: até seis meses de proteção e acompanhamento antes da busca por uma moradia fora da casa.