Quem enfrenta o trânsito de São Paulo todos os dias ganhou um novo incentivo para deixar o carro na garagem em parte dos deslocamentos. Um projeto desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vai oferecer recompensas a moradores da capital que optarem pela bicicleta durante o período da pesquisa.
A proposta busca unir dois desafios das grandes cidades: estimular formas de transporte menos dependentes do automóvel e incentivar a prática de atividade física no dia a dia. Durante o projeto piloto, participantes selecionados poderão receber créditos no Bilhete Único ao registrar viagens feitas de bicicleta em substituição a deslocamentos que normalmente fariam de carro.
Mais do que distribuir benefícios, o estudo pretende responder uma questão importante para a mobilidade urbana: oferecer recompensas é capaz de incentivar mais pessoas a trocar o carro pela bicicleta? Os pesquisadores acompanharão o comportamento dos participantes para verificar se o incentivo financeiro influencia essa decisão.
Trocar o carro pela bicicleta pode mudar hábitos de mobilidade
São Paulo concentra uma das maiores frotas de veículos do país, com mais de 6 milhões de automóveis registrados, segundo o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Em uma cidade marcada por congestionamentos diários, diferentes iniciativas têm buscado incentivar formas alternativas de deslocamento, especialmente para viagens curtas.
A estratégia adotada pela USP segue uma abordagem conhecida como economia comportamental, área que estuda como incentivos podem influenciar decisões do cotidiano. Em vez de apenas recomendar uma mudança de hábito, esse tipo de política procura estimular novos comportamentos por meio de recompensas concretas.
Experiências semelhantes já foram testadas em cidades da Europa e da América do Norte para avaliar se incentivos financeiros conseguem aumentar o uso da bicicleta como meio de transporte. O projeto paulista pretende produzir evidências sobre esse modelo na realidade brasileira.
Para o técnico em T.I. Edmarks Silva, que mora no bairro Arthur Alvim, na Zona Leste de São Paulo, o projeto pode sim trazer diversos benefícios. “Trocaria sim meu carro e minha moto para ir até um mercado próximo a mim. Além do benefício para a saúde, é menos estresse durante o trajeto”, comentou ao Boa Notícia Brasil.
Pedalar também ajuda a aumentar a atividade física
Além de servir como meio de transporte, a bicicleta permite incorporar atividade física à rotina. Pedalar para o trabalho, estudar ou resolver tarefas do dia a dia é uma forma de aumentar o tempo dedicado aos exercícios sem a necessidade de reservar um horário específico para isso.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem acumular entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana. Utilizar a bicicleta nos deslocamentos cotidianos é uma das maneiras de contribuir para essa recomendação.
A Personal Trainer Larissa Moraes explicou ao Boa Notícia Brasil, que os benefícios desse projeto vão além das recompensas ofertadas pela USP. Pedalar ajuda o corpo humano em diversos aspectos. “Pedalar é uma forma simples e muito eficiente de cuidar da saúde. A prática melhora o condicionamento cardiovascular, fortalece a musculatura, ajuda no controle do peso e reduz o risco de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade”, explicou.
Ela ainda complementa. “Além disso, por ser uma atividade de baixo impacto, pode ser praticada pela maioria das pessoas e ainda favorece a liberação de hormônios relacionados ao bem-estar, contribuindo para a redução do estresse e para uma melhor qualidade de vida. Quando o ciclismo passa a fazer parte da rotina, a atividade física deixa de ser apenas um compromisso e se transforma em um hábito capaz de gerar benefícios para a saúde, para o meio ambiente e para a mobilidade urbana”.
Como vai funcionar o projeto
Batizada de Bike SP, a iniciativa vai selecionar cerca de 2 mil participantes. As inscrições permanecem abertas até 24 de agosto.
Podem participar moradores da cidade de São Paulo com 18 anos ou mais, que possuam celular Android e Bilhete Único ativo. Os participantes também deverão concluir um minicurso obrigatório sobre segurança no trânsito antes do início das atividades.
O projeto dará prioridade a pessoas que ainda não utilizam a bicicleta regularmente e a moradores das zonas Norte, Sul e Leste da capital. Durante o piloto, os participantes registrarão seus deslocamentos em um aplicativo e receberão créditos no Bilhete Único conforme as regras definidas pela pesquisa.
Ao final do estudo, os pesquisadores compararão os deslocamentos realizados pelos participantes para verificar se a recompensa financeira influenciou a adoção da bicicleta como meio de transporte. Os resultados poderão contribuir para futuras pesquisas e discussões sobre políticas públicas voltadas à mobilidade urbana.