A melhora do mercado de trabalho brasileiro não apareceu apenas na menor taxa de desemprego para um trimestre encerrado em junho. Os dados divulgados nesta quinta-feira (30/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostram uma queda de 14% no número de pessoas desalentadas em relação ao mesmo período do ano passado.
Na prática, isso significa que diminuiu o número de brasileiros na condição de desalento. Esse grupo reúne pessoas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de procurar uma vaga porque acreditavam que não conseguiriam uma oportunidade.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu para 5,4%, o menor índice da série histórica para um trimestre encerrado em junho. O país também alcançou 102,3 milhões de pessoas ocupadas, novo recorde da pesquisa.
Queda do desalento reforça a melhora do mercado de trabalho
Embora a taxa de desemprego seja o indicador mais conhecido, ela não mostra sozinha como está o mercado de trabalho. A redução do desalento complementa os demais indicadores divulgados pelo IBGE. Ela mostra que diminuiu o número de pessoas que gostariam de trabalhar, mas haviam deixado de procurar uma vaga.
O contingente de desalentados ficou em 2,8 milhões de pessoas. O número representa queda de 14% na comparação com o mesmo trimestre de 2025 e de 13,7% em relação ao trimestre encerrado em março deste ano.
Outro indicador que reforça esse cenário é a taxa composta de subutilização da força de trabalho. Ela reúne desempregados, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas disponíveis para trabalhar, mas que ainda não conseguiram uma ocupação. O índice caiu para 14,4%, também abaixo do registrado um ano antes.
Vagas formais e renda também avançaram
A melhora do mercado de trabalho ocorreu em um contexto de crescimento da ocupação e do emprego com carteira assinada.
O Brasil chegou a 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, novo recorde da pesquisa. Em um ano, foram criadas 1,8 milhão de vagas formais.
O rendimento médio habitual também permaneceu em alta. Os trabalhadores receberam, em média, R$ 3.477 por mês. Já a massa de rendimentos alcançou o recorde de R$ 351,2 bilhões.
A combinação desses indicadores mostra que a melhora observada pelo IBGE não ficou restrita à queda da taxa de desemprego. O número de pessoas ocupadas aumentou, a renda continuou crescendo e diminuiu o contingente de brasileiros em situação de desalento.
Quem são os trabalhadores em situação de desalento
O IBGE considera desalentadas as pessoas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para assumir uma vaga, mas desistiram de procurar emprego. Entre os motivos estão a falta de oportunidades na região, a percepção de que não conseguiriam uma colocação ou tentativas anteriores sem sucesso.
Segundo a definição do instituto, o indicador ajuda a identificar trabalhadores que interromperam a busca por uma vaga mesmo desejando ingressar no mercado. Por isso, sua redução complementa outros indicadores, como desemprego, ocupação e subutilização da força de trabalho.
Os próximos resultados da PNAD Contínua mostrarão se esse movimento terá continuidade ao longo do segundo semestre.