O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (29/07), um plano de R$ 1,335 bilhão para preparar o país para os impactos do El Niño antes da intensificação do fenômeno climático. A estratégia reúne ações voltadas à segurança alimentar, combate a incêndios florestais, monitoramento ambiental, saúde pública e acompanhamento da oferta de energia, com o objetivo de reduzir os efeitos de eventos extremos sobre a população.
Uma Sala de Situação do El Niño reunirá 24 ministérios e órgãos federais para coordenar o planejamento e acompanhar a evolução das condições climáticas. Segundo o governo, a estratégia é antecipar ações de prevenção e organizar respostas rápidas caso os cenários mais críticos se confirmem.
A maior parte dos recursos será destinada à segurança alimentar. O plano reserva R$ 850 milhões para recompor os estoques públicos com 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz. O governo manterá esses alimentos como reserva para utilizá-los caso eventos climáticos comprometam a produção agrícola ou o abastecimento.
O governo destinará R$ 65 milhões para distribuir 350 mil cestas básicas a indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.. Outros R$ 13 milhões reforçarão o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), beneficiando cerca de 21,6 mil agricultores da Região Norte.
Saúde e monitoramento também fazem parte do plano
A estratégia também prevê R$ 45 milhões para ampliar a atuação dos Centros de Informação em Saúde e Clima e da Força Nacional do SUS. As equipes acompanharão os efeitos de ondas de calor, secas, incêndios e chuvas intensas para orientar as ações da rede pública de saúde.
O governo também investirá R$ 25 milhões no monitoramento do nível dos rios. A medida permitirá acompanhar os efeitos da estiagem sobre a navegação e o abastecimento de água.
O governo também informou que acompanhará a oferta de energia, a disponibilidade de água, a logística e a produção agrícola durante a evolução do fenômeno, ajustando as medidas conforme os cenários forem atualizados pelos órgãos de monitoramento.
Essa preparação também inclui medidas voltadas ao setor elétrico. Na semana passada, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou ações para reforçar a segurança do fornecimento de energia. O colegiado tomou a decisão diante da previsão de impactos do El Niño.
Entre elas está a antecipação de contratos de reserva de capacidade, que acrescentarão 1,8 gigawatt (GW) ao Sistema Interligado Nacional a partir de setembro. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida busca aumentar a capacidade de resposta do sistema caso o fenômeno afete o regime de chuvas e a geração de energia.
Combate aos incêndios será ampliado
Outra frente do plano concentra R$ 337 milhões em ações de fiscalização ambiental e prevenção aos incêndios florestais.
O governo também investirá R$ 25 milhões no monitoramento do nível dos rios. A medida permitirá acompanhar os efeitos da estiagem sobre a navegação e o abastecimento de água.
A estratégia também prevê atuação integrada entre órgãos federais, governos estaduais e instituições responsáveis pelas operações de emergência.
Como o El Niño pode afetar o Brasil
O El Niño é provocado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico. Seus efeitos variam conforme a região do país.
No Norte, costuma aumentar o risco de estiagem e reduzir o nível dos rios. No Sul, favorece temporais e enchentes. Já parte do Centro-Oeste e do Sudeste pode registrar ondas de calor e alterações no regime de chuvas.
Essas diferenças regionais ajudam a explicar a estratégia do governo. O plano reúne ações nas áreas de segurança alimentar, saúde, monitoramento dos rios, acompanhamento da oferta de energia e prevenção de incêndios.
Segundo o governo, o plano busca acelerar a resposta das diferentes áreas da administração pública. A estratégia será colocada em prática caso os impactos previstos para o El Niño se confirmem.