Proteção online avança com novo modelo que afasta crianças das redes sociais no Reino Unido e na Austrália

Reino Unido e Austrália adotam medidas para restringir o acesso de menores às redes sociais e impulsionam um novo modelo de proteção online. Entenda o que muda.
Reino Unido e Austrália adotam restrições para limitar o acesso de menores de 16 anos às redes sociais e impulsionam um novo modelo de proteção online baseado em regras para plataformas digitais.
A proibição de redes sociais para menores de 16 anos no Reino Unido reforça uma tendência iniciada pela Austrália e amplia o debate sobre proteção online para crianças e adolescentes. (Foto: Getty Images)

O Reino Unido anunciou nesta segunda-feira (15/06) a proibição de redes sociais para menores de 16 anos e ampliou controles sobre plataformas digitais usadas por crianças e adolescentes. A medida fortalece um movimento internacional de criação de limites legais para o acesso de menores às redes sociais.

A proposta atinge plataformas como YouTube, Facebook, X, TikTok e Snapchat. Além disso, o governo britânico prevê limites para transmissões ao vivo, interações entre menores e desconhecidos e recursos criados para prolongar o tempo de uso.

A decisão foi anunciada após uma consulta pública com mais de 116 mil contribuições. Entre os responsáveis que participaram, 90% apoiaram a definição de 16 anos como idade mínima para acesso às redes sociais.

Antes do Reino Unido, porém, a Austrália aprovou uma proibição nacional semelhante em dezembro de 2025 e se tornou o primeiro país a adotar esse tipo de regra para grandes plataformas. Desde então, o modelo australiano passou a servir de referência para governos que discutem formas de limitar o acesso de menores a esses serviços.

Proteção online amplia obrigações das empresas digitais

Com as novas regras de proteção online, o Reino Unido passa a exigir das empresas mecanismos capazes de impedir o acesso de usuários abaixo da idade mínima. Dessa forma, a responsabilidade pela segurança digital deixa de ficar concentrada apenas em famílias, escolas e campanhas educativas.

Segundo o governo britânico, 83% dos responsáveis que responderam à consulta pública avaliaram que os riscos das redes sociais superam os benefícios para crianças e adolescentes. Esse resultado ajudou a orientar a proposta apresentada por Keir Starmer.

Além disso, a regulamentação complementar deverá definir como as plataformas comprovarão a idade dos usuários e aplicarão as novas exigências. O governo informou que já possui poderes para iniciar a implementação da medida.

Menores de 16 anos terão regras mais amplas

A proposta britânica vai além das rede sociais e da experiência australiana ao incluir controles sobre plataformas de jogos e ferramentas que permitem comunicação entre crianças e pessoas desconhecidas.

Ao mesmo tempo, o governo avalia limites para funcionalidades associadas ao uso prolongado. Entre elas estão mecanismos de rolagem contínua e possíveis restrições de acesso em determinados horários.

Por outro lado, aplicativos de mensagens privadas, como WhatsApp e Signal, não fazem parte da proibição anunciada até o momento. A prioridade recai sobre serviços com algoritmos de recomendação, interação pública e contato entre usuários.

Regras para redes sociais adolescentes entram no debate global

Além das medidas anunciadas pelo Reino Unido, diferentes países revisam a relação entre infância e tecnologia. Esse movimento indica que governos passaram a tratar o acesso de menores às redes sociais como tema de política pública.

Enquanto especialistas avaliam os efeitos de diferentes modelos regulatórios, Reino Unido e Austrália já adotaram limites legais para reduzir a exposição precoce de crianças a conteúdos inadequados e mecanismos de engajamento intensivo.

A regulamentação britânica deverá ser concluída até o fim deste ano. Segundo o governo, a proibição tem previsão de entrar em vigor na primavera de 2027 no hemisfério norte.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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