Prestes a completar 100 anos, Benicta Caroni Godoy continua preparando, no “olhômetro”, as bolachas que transformaram uma receita tradicional em um negócio conhecido em Pitangueiras, no interior de São Paulo. À frente de um negócio de bolachas iniciado em 2014, ela faz cada fornada sem livros de receitas ou medidas exatas e preserva a receita da bolacha de nata, mantida pela família desde 1948.
O que começou como uma forma de agradar parentes e amigos acabou se transformando em uma fonte de renda. Depois de levar algumas bolachas para colegas das aulas de pilates, os pedidos começaram a se multiplicar. Desde então, a aposentada passou a produzir encomendas para clientes da cidade e também de municípios vizinhos.
Décadas de prática permitem que Benicta dispense medidas exatas e confie apenas na experiência acumulada para acertar a quantidade de cada ingrediente. Para ela, porém, o principal segredo continua sendo o carinho colocado em cada fornada. “Eu acho que é o amor que eu tenho nelas, porque eu gosto de fazer demais”, afirma.
O negócio de bolachas também transformou a casa em um ponto de encontro. Clientes, amigos e parentes passam com frequência para buscar as encomendas recém-saídas do forno e aproveitam a visita para compartilhar um café e colocar a conversa em dia.
Receita de família mantém vivo o negócio de bolachas
Entre os produtos mais procurados estão a bolacha de nata, a cavaca portuguesa, o palitinho francês e a bolachinha de fubá. A receita da bolacha de nata atravessou gerações e segue sendo feita da mesma forma desde 1948, preservando uma tradição familiar há quase oito décadas.
Com o aumento da procura, o sobrinho Júnior Caroni passou a vender os pacotes no empório da família. A iniciativa ampliou a visibilidade do negócio de bolachas, que conquistou fregueses fiéis e passou a atrair consumidores de diferentes cidades da região.
Segundo o comerciante, as fornadas chegam frescas ao estabelecimento e costumam se esgotar rapidamente, tornando as bolachas um dos produtos mais procurados do empório.
Como Benicta mantém a disposição perto dos 100 anos
A disposição de Benicta vai muito além da cozinha. Ela frequenta aulas de hidroginástica duas vezes por semana, caminha na esteira, utiliza bicicleta ergométrica e ainda aproveita o pula-pula infantil para manter o corpo em movimento.
Mesmo após enfrentar a perda de um dos filhos neste ano, ela preservou os hábitos que fazem parte do seu dia a dia, manteve a produção artesanal e continuou recebendo parentes e clientes em casa. As fornadas ajudam a reunir pessoas ao redor do café da tarde, reforçando um costume que se tornou parte da rotina de quem acompanha seu trabalho.
Para Benicta, chegar aos 100 anos não depende de uma fórmula especial. O segredo, segundo ela, está na paciência, na vontade de seguir em frente e na alegria de continuar fazendo o que gosta. Se tudo correr como espera, ela comemorará o centenário no dia 5 de dezembro, cercada por pessoas queridas e pelas bolachas que transformaram uma tradição doméstica em um exemplo de longevidade ativa.
