Registro feito na Caatinga coloca pesquisador do Butantan entre os melhores da década

A fotografia científica brasileira registra um casal de pererecas-verdes durante o amplexo, comportamento reprodutivo típico dos anfíbios. Produzida por Carlos Jared, do Instituto Butantan, a imagem foi escolhida pela Royal Society entre as melhores da última década.
Escolhida pela Royal Society entre as melhores da última década, a fotografia científica brasileira de Carlos Jared mostra um raro momento da reprodução de pererecas-verdes na Caatinga. (Foto: Carlos Jared)

Uma fotografia científica brasileira registrada na Caatinga passou a integrar a seleção da Royal Society, no Reino Unido, que reúne algumas das melhores imagens científicas produzidas na última década. Produzido pelo pesquisador Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan, o registro está em exibição na Summer Science Exhibition 2026, em Londres, uma das principais vitrines de divulgação científica da instituição.

A imagem retrata um casal de pererecas-verdes durante o amplexo, comportamento reprodutivo típico dos anfíbios. Carlos Jared registrou a cena em Angicos (RN), logo após as primeiras chuvas na Caatinga. Nesse período, os anfíbios saem dos esconderijos para aproveitar a curta temporada chuvosa. Antes que a estiagem retorne, eles buscam garantir a reprodução da espécie.

A fotografia já havia recebido menção honrosa no concurso anual da Royal Society, em 2017, na categoria Ecologia e Ciência Ambiental. Nove anos depois, a Royal Society selecionou novamente a fotografia para integrar a mostra comemorativa que reúne os registros científicos mais marcantes da última década.

Fotografia científica brasileira une ciência, arte e biodiversidade

Carlos Jared registrou a fotografia durante uma expedição noturna em janeiro de 2014. Enquanto a esposa iluminava a cena, Carlos Jared ajustou o foco e registrou o momento em que os anfíbios seguiam para a folha onde depositariam os ovos.

Ao comentar o reconhecimento, o pesquisador afirmou que a conquista representa uma satisfação tanto na ciência quanto na fotografia. Para ele, o registro demonstra que a pesquisa científica também pode produzir imagens capazes de aproximar o público da natureza.

O resultado foi uma imagem que ultrapassou o valor de um registro científico. Ela passou a representar, ao mesmo tempo, a riqueza da biodiversidade brasileira e a capacidade da ciência nacional de produzir conhecimento reconhecido internacionalmente.

Reconhecimento internacional também valoriza a Caatinga

Além do reconhecimento internacional, a fotografia voltou os holofotes para a Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro. Carlos Jared espera que a repercussão da imagem contribua para fortalecer a conscientização sobre a conservação da região, que enfrenta áreas afetadas pelo avanço da desertificação.

O pesquisador lembra ainda que os anfíbios são importantes indicadores da qualidade ambiental. Ambientes onde essas espécies vivem costumam apresentar ecossistemas preservados, reforçando sua importância para a manutenção da biodiversidade.

Os anfíbios também despertam interesse da ciência. Estudos desenvolvidos pelo Instituto Butantan já identificaram substâncias presentes na pele de algumas pererecas com potencial para aplicações médicas, incluindo compostos com ação antibiótica.

Quase uma década depois da primeira premiação, a fotografia ganhou um novo significado. O registro passou a integrar a seleção que reúne os principais destaques da fotografia científica dos últimos dez anos e reforçou como uma cena registrada na Caatinga pode levar a biodiversidade brasileira e a pesquisa nacional a um dos mais respeitados espaços da ciência mundial.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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