Bolos “feios” viralizam, lotam agenda de jovem de SP e pedidos crescem 90%

Mariana Neves, de 31 anos, transformou bolos feios em negócio em São Paulo e precisou contratar ajuda após a procura crescer 90%.
Mariana Neves posa com um dos bolos feios que viralizaram nas redes sociais.
Mariana Neves transformou os “bolos feios” em negócio e viu os pedidos crescerem 90% após viralizar nas redes sociais. (Foto: reprodução / redes sociais)

Os bolos feios de Mariana Neves, de 31 anos, saíram de uma brincadeira entre amigos para ocupar a agenda da confeiteira em São Paulo. O que a jovem não esperava era que que imagens das criações iriam viralizar nas redes sociais e transformar completamente o pequeno negócio que mantinha. Segundo a empreendedora, a procura cresceu 90% e chegou a cerca de dez encomendas por semana.

Apoio

Antes da repercussão, Mariana produzia entre quatro e cinco bolos por semana. Com o salto nos pedidos, setembro ficou sem vagas e a primeira semana de outubro também foi preenchida. A mudança obrigou a jovem a reorganizar uma rotina que ainda divide com o trabalho em marketing.

A confeiteira também contratou duas pessoas para ajudá-la na logística e nas redes sociais. Mesmo assim, ela continua responsável pela produção e admite que poderá reduzir o número de encomendas se o ritmo atual ficar difícil de sustentar.

O visual propositalmente imperfeito virou a principal marca do negócio. Os bolos trazem desenhos caricatos, personagens deformados e referências pessoais, sem a proposta de reproduzir imagens com perfeição.

Bolos feios começaram como renda extra

Mariana começou a testar receitas durante a pandemia e fazia bolos para aniversários de familiares e amigos. Em 2025, incentivada por pessoas próximas, decidiu transformar o hábito em uma fonte de renda extra e criou a Bolos Feios da Mari.

O nome também ajudava a diminuir a cobrança por um acabamento tradicional. Em vez de esconder desenhos tortos ou proporções exageradas, ela passou a usar essas características como parte do produto e a personalizar cada encomenda de acordo com a pessoa homenageada.

Atualmente, o quilo custa R$ 150. Mariana, porém, considera mudar a forma de cobrança para levar em conta a complexidade e o trabalho artístico de cada pedido. A alteração ainda não foi implementada.

Viralização dos bolos feios mudou a escala do negócio

A nova fase começou depois que um post no X reuniu imagens dos bolos e espalhou o trabalho para um público muito maior. A publicação registrava mais de 547 mil visualizações e 48 mil curtidas na cobertura de 19 de setembro.

O crescimento também mudou a perspectiva de Mariana sobre a confeitaria. Ela ainda trabalha com marketing e pretende avançar aos poucos antes de decidir se passa a viver somente da produção dos bolos.

Por enquanto, o limite mais concreto é a própria capacidade de produção. Se os bolos feios continuarem recebendo pedidos nesse ritmo, Mariana terá de aumentar a estrutura ou aceitar menos encomendas. Ela já considera as duas possibilidades, mas ainda não definiu qual caminho seguirá.

Produtos diferentes viram vitrine para pequenos negócios nas redes

Os bolos feios fazem parte de um fenômeno que já levou outros produtos pouco convencionais para o centro das redes sociais. Os bentô cakes, pequenos bolos com frases e desenhos bem-humorados, por exemplo, viralizaram e chegaram a se tornar um dos principais produtos de várias confeitarias, segundo levantamento do Sebrae.

Em 2026, outro caso ganhou força: o bolo de pudim. Entre janeiro e abril, os pedidos da sobremesa no iFood cresceram 128,5%, de 3,5 mil para 8 mil por mês. Confeiteiras ouvidas pela Folha relataram que clientes chegavam atraídos pelos vídeos nas redes e acabavam conhecendo outros itens do cardápio.

O ambiente ajuda a explicar por que produtos tão específicos conseguem alcançar público rapidamente. Pesquisa do Sebrae divulgada em 2026 apontou que 73% dos pequenos empreendedores usam ferramentas on-line para vender, enquanto 57% utilizam o Instagram. Para negócios pequenos, um produto curioso ou fácil de reconhecer no feed pode funcionar como primeira vitrine para conquistar clientes — exatamente o caminho que agora aparece na história de Mariana.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp