Fim das bets ganha força com medida provisória que deve proibir apostas e anúncios no Brasil

Medida provisória em elaboração prevê o fim das bets, com bloqueio das operações e da publicidade; texto ainda definirá quando a proibição começa.
Painel com publicidade de site de apostas instalado em ponto de ônibus em área urbana.
Publicidade de bets em espaços públicos já enfrenta restrições em algumas cidades brasileiras, enquanto o país discute medidas mais amplas contra as plataformas. (Foto: Nicolas Tucat/AFP)... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/esporte/clubes-pressionam-contra-possivel-proibicao-de-bets-fim-do-futebol-brasileiro/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos

O fim das bets no Brasil ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (24/09). Áreas técnicas do governo federal trabalham em uma medida provisória que deve proibir a operação das casas de apostas no país, incluindo apostas esportivas e jogos on-line.

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A proposta, porém, ainda não está valendo. A previsão é que a MP siga para assinatura nesta sexta-feira (25/09) e seja publicada no mesmo dia ou, no máximo, na segunda-feira (28/09). Até esta publicação, continuam em vigor as regras atuais do mercado regulado.

Se o texto mantiver o formato atualmente em discussão, as empresas não poderão oferecer nem intermediar apostas no território nacional. A publicidade das plataformas também deve ser proibida, segundo a apuração.

O ponto mais importante para quem utiliza esses sites será o prazo. As operadoras terão um período curto para se adaptar.

Sites de bets devem deixar de operar no Brasil

A medida provisória em elaboração deve proibir definitivamente a operação dos sites de apostas no país. Se a regra for mantida no texto final, as plataformas hoje autorizadas terão de encerrar as atividades após o prazo de adaptação que ainda será definido.

Atualmente, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, podem operar nacionalmente. Desde janeiro de 2025, os sites regulares usam endereços terminados em .bet.br.

Em agosto de 2026, o Ministério da Fazenda contabilizava 85 empresas habilitadas no mercado regulado. A MP deverá definir como essas autorizações serão encerradas e qual será o prazo para a retirada das plataformas do ar.

O que a medida provisória deve proibir

A proposta em elaboração deve alcançar tanto as apostas esportivas quanto os jogos on-line. Segundo a apuração publicada nesta quinta-feira, empresas brasileiras ou estrangeiras ficariam impedidas de oferecer ou intermediar esses serviços no país.

A publicidade também deve entrar na proibição. Se essa regra aparecer na versão oficial, as empresas deixarão de poder anunciar seus serviços no território nacional, o que alcançará também os contratos publicitários e patrocínios ligados às plataformas.

Mesmo depois de publicada, a MP terá de passar pelo Congresso. Uma medida provisória vale inicialmente por 60 dias e pode ser prorrogada uma única vez por mais 60. Câmara e Senado podem aprovar, modificar ou rejeitar o texto.

Cidades brasileiras já restringem publicidade de bets em espaços públicos

A proibição de anúncios de bets em espaços públicos já começou a aparecer em diferentes cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, um decreto em vigor desde julho proíbe publicidade das plataformas em mobiliário urbano e em outros locais cuja exploração dependa de autorização ou concessão municipal. A fiscalização pode determinar a retirada dos anúncios e aplicar multas.

Belo Horizonte também proibiu publicidade estática ou digital de bets em órgãos e entidades ligados à prefeitura e nas proximidades de equipamentos municipais destinados a crianças e adolescentes. Em Cuiabá, a restrição alcança outdoors, painéis, mobiliário urbano e equipamentos públicos, além de marcas, aplicativos, sites e campanhas promocionais das empresas.

Campinas adotou regra semelhante no fim de julho, vedando anúncios de operadores de apostas em mobiliário urbano e estruturas publicitárias visíveis de áreas públicas, inclusive quando instaladas em propriedades privadas. As iniciativas mostram que a limitação da publicidade já vinha avançando em âmbito municipal antes mesmo da discussão sobre uma proibição nacional.

Nesta semana, como foi divulgado pelo Boa Notícia Brasil, a prefeitura de Fortaleza também iniciou o processo de proibição de divulgação em pontos de ônibus, transportes públicos e, eventos ligados ao município.

Dívidas, saúde mental e crimes estão entre os impactos das bets

Os efeitos das apostas já aparecem em pesquisas recentes. Levantamento do Procon-SP divulgado em 2026 mostrou que 39,7% dos apostadores disseram ter se endividado depois que começaram a usar sites de apostas. Na pesquisa anterior, de 2025, 71% afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganharam.

Na saúde, estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), publicado em 2025, estimou em R$ 30,6 bilhões por ano os custos relacionados aos danos provocados pelo jogo no Brasil. O levantamento apontou cerca de 1,4 milhão de brasileiros em situação de jogo problemático e relacionou o problema a casos de depressão, perda de renda e maior risco de suicídio.

As bets ilegais também passaram a aparecer em investigações policiais. Em julho de 2026, uma operação da Polícia Federal contra um grupo suspeito de usar sites clandestinos de apostas para lavar dinheiro ligado ao tráfico levou a decisões judiciais para bloquear até R$ 951,1 milhões em bens e valores.

Outros países já proibiram ou restringiram fortemente as bets

A proibição de apostas on-line já existe em outros países. Na Indonésia, o governo considera ilegal qualquer plataforma que permita apostas com dinheiro e mantém bloqueios contra sites desse tipo. Em maio de 2026, o Ministério da Comunicação e Assuntos Digitais reforçou que o país não permite nenhuma forma de jogo on-line.

Na China, apostas esportivas on-line também são tratadas como atividade ilegal. Em julho de 2026, autoridades divulgaram uma série de operações contra redes de apostas em partidas de futebol. O país mantém loterias estatais autorizadas, mas proíbe plataformas privadas e vendas de loteria pela internet sem autorização.

O Catar adota uma regra ainda mais ampla. O Código Penal proíbe jogos de azar e prevê punições tanto para quem aposta quanto para quem organiza ou mantém locais destinados à prática.

Agora, o fim das bets depende da publicação da medida provisória. É o texto oficial que vai mostrar quando a proibição começa, quanto tempo as empresas terão para encerrar as operações e como ficarão os contratos e serviços hoje autorizados no país.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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