Duas instituições públicas brasileiras passaram a integrar a lista das melhores escolas do mundo após o anúncio dos finalistas do World’s Best School Prizes 2026, realizado na quinta-feira (25/06). A Escola Municipal GET IV Centenário, no Rio de Janeiro, e a Escola Baniwa Kalipana, em São Gabriel da Cachoeira (AM), conquistaram espaço entre escolas de diferentes países ao desenvolver práticas educacionais que produziram resultados concretos para estudantes, famílias e comunidades.
As escolas brasileiras entre as melhores do mundo chegaram à fase final por trajetórias diferentes, mas com resultados mensuráveis. No GET IV Centenário, o abandono escolar foi zerado e a alfabetização na idade adequada alcançou 97%. Na Escola Baniwa Kalipana, o ensino fortaleceu a permanência dos jovens em seus territórios ao integrar conhecimentos tradicionais ao currículo escolar.
A presença simultânea das duas instituições amplia a participação do Brasil em uma das principais premiações internacionais dedicadas à educação básica. As experiências desenvolvidas na Maré e na Amazônia passam a integrar uma rede global de boas práticas voltadas ao aperfeiçoamento da aprendizagem em diferentes contextos sociais.
A conquista também produz efeitos além das duas finalistas. A Prefeitura do Rio de Janeiro informou que a metodologia criada no GET IV Centenário será incorporada a outras 350 escolas da rede municipal, ampliando o acesso de mais estudantes a práticas que contribuíram para reduzir a evasão escolar e elevar os indicadores de aprendizagem.
Por que essas escolas brasileiras estão entre as melhores do mundo?
O GET IV Centenário representa o Brasil na categoria Superação de Adversidades. Localizada no Complexo da Maré, a unidade criou o projeto Fábrica de Sonhos depois de identificar que muitas crianças precisavam de um espaço permanente de escuta após operações policiais registradas na região.
Os primeiros 20 minutos de cada dia letivo passaram a ser dedicados ao acolhimento socioemocional. A iniciativa evoluiu para um conjunto de práticas que reúne participação das famílias, uso de tecnologia e atividades em que os estudantes investigam problemas da comunidade e desenvolvem soluções durante o processo de aprendizagem.
Segundo a diretora Alessandra Aguiar, o fortalecimento do vínculo entre escola, estudantes e famílias contribuiu para eliminar a evasão escolar e elevar os indicadores de aprendizagem. Os resultados também motivaram a adoção da metodologia em outras 350 escolas da rede municipal do Rio de Janeiro, conforme informou a prefeitura.
Escola indígena transforma saberes ancestrais em educação de referência
A Escola Baniwa Kalipana representa o Brasil na categoria Ação Ambiental. O modelo pedagógico foi desenvolvido por lideranças Baniwa e Koripako com participação de famílias, anciãos e educadores indígenas, valorizando conhecimentos preservados ao longo de gerações.
O sistema agrícola Káali organiza parte do ensino e conecta o cultivo da mandioca a conteúdos ligados à ecologia, memória, alimentação, saúde, artes, espiritualidade e vida comunitária. Esses conhecimentos dialogam com disciplinas previstas no currículo nacional, como matemática, português e história, aproximando a formação escolar da realidade cultural e ambiental da comunidade.
Todos os professores pertencem às comunidades indígenas, e parte das atividades ocorre na própria língua tradicional. A proposta fortalece a permanência dos jovens em seus territórios ao integrar a educação formal aos conhecimentos ancestrais, reduzindo o distanciamento entre a escola e a realidade vivida pelos estudantes.
Como funciona o Prêmio Melhores Escolas do Mundo
O World’s Best School Prizes é promovido pela T4 Education com apoio da Fundação Lemann, American Express e Accenture. A iniciativa identifica experiências que podem ser adaptadas por outras redes de ensino e utiliza os projetos finalistas para compartilhar práticas educacionais entre escolas de diferentes países.
A premiação contempla cinco categorias: Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis. A votação popular permanece aberta até 29 de outubro. Os vencedores serão anunciados em novembro e receberão recursos destinados às próprias escolas.
As instituições finalistas também participarão do World Schools Summit, em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027, reunindo educadores e formuladores de políticas públicas para trocar experiências. A presença de duas representantes brasileiras entre as melhores escolas do mundo amplia a circulação internacional de práticas desenvolvidas na educação pública e fortalece o intercâmbio de soluções que já demonstraram resultados em sala de aula.
