Uma bola, uma piscina ou um tatame podem representar muito mais do que o início de uma prática esportiva. Quando o acesso ao esporte acontece ainda na infância, crianças e adolescentes desenvolvem hábitos saudáveis, aprendem a trabalhar em equipe, fortalecem a autoconfiança e descobrem que são capazes de superar desafios. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca que o esporte favorece o desenvolvimento físico, emocional e social, além de estimular a convivência, o respeito às regras e o vínculo com a escola.
Os benefícios continuam mesmo depois da infância. Uma revisão científica publicada em 2024 identificou que adolescentes que praticam esportes organizados tendem a apresentar melhores indicadores de saúde física e mental no início da vida adulta do que aqueles que não participaram dessas atividades.
É justamente para ampliar esse acesso que alguns dos principais atletas olímpicos e paralímpicos brasileiros decidiram compartilhar a experiência acumulada ao longo da carreira. A proposta é incentivar a criação de novos projetos esportivos para que mais crianças tenham a mesma oportunidade que um dia mudou suas próprias vidas.
Antes do pódio, veio a primeira oportunidade
Arthur Zanetti conheceu a ginástica artística aos sete anos, por incentivo de um professor de Educação Física. Aquele primeiro contato marcou o início de sua trajetória no esporte. Anos depois, Arthur Zanetti conquistou o primeiro ouro olímpico da ginástica artística para o Brasil. O que começou como uma atividade infantil acabou se transformando em uma carreira histórica.
Com Daniel Dias aconteceu algo semelhante. O maior medalhista paralímpico da história do Brasil começou a nadar ainda criança durante o processo de reabilitação. A modalidade, que inicialmente fazia parte do tratamento, revelou um talento que o levou a conquistar dezenas de medalhas em Jogos Paralímpicos.
No voleibol, Giovane Gávio também deu os primeiros passos nas categorias de base. A oportunidade abriu caminho para uma carreira que o levou ao bicampeonato olímpico e o transformou em um dos maiores nomes da modalidade no Brasil. Histórias diferentes têm um ponto em comum: alguém abriu a primeira porta para o esporte.
Mesmo quando não leva ao alto rendimento, esse primeiro incentivo ajuda a formar adultos mais ativos, fortalece a convivência social e amplia as perspectivas de crianças e jovens.
Acesso ao esporte começa com uma primeira oportunidade
Agora, alguns dos atletas que viveram essa transformação pretendem fazer com que ela alcance novas gerações. Giovane Gávio, Daniel Dias, Arthur Zanetti, Magic Paula, Isabel Swan, Tiago Camilo e Patrícia Amorim participarão do Projeto Capacita, iniciativa voltada à formação de gestores, organizações sociais e profissionais interessados em desenvolver projetos esportivos.
Promovido pelo Instituto Imaginação, o curso será realizado nos dias 17 e 18 de agosto, no Rio de Janeiro, com 400 vagas gratuitas. Durante a programação, os participantes aprenderão a elaborar projetos, captar recursos e utilizar a Lei de Incentivo ao Esporte, mecanismo que permite destinar uma parcela do Imposto de Renda devido por pessoas físicas e empresas para financiar projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte.
Além de compartilhar experiências pessoais, os atletas mostrarão como transformar boas ideias em iniciativas capazes de chegar a mais comunidades. Hoje, eles inspiram pelas medalhas conquistadas. Agora, também podem abrir caminhos para outras crianças. A expectativa é que novos participantes encontrem no esporte o mesmo ponto de partida que mudou a vida desses atletas.