Analfabetismo no Brasil atinge mínima histórica e revela geração mais escolarizada

O Brasil registra a menor taxa de analfabetismo da série histórica do IBGE. Entenda como a alfabetização e a escolaridade avançaram na última década.
Mulher participa de atividade de alfabetização em sala de aula durante programa educacional, tema ligado à queda do analfabetismo no Brasil.
Dados do IBGE mostram que o analfabetismo no Brasil caiu para 4,9% em 2025, enquanto a escolaridade da população continua avançando. (Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília)

O analfabetismo no Brasil caiu para 4,9% em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (19/06). A taxa de analfabetismo 2025 é a menor desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Educação, iniciada em 2016.

O índice representa 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que ainda não sabem ler nem escrever um bilhete simples. Mesmo sem alcançar a erradicação prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o país reduziu em cerca de 2,2 milhões o número de analfabetos na última década.

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A queda histórica do analfabetismo acompanha uma trajetória contínua de melhora. Em 201 6, a taxa nacional era de 6,7%. Em 2024, havia recuado para 5,3%, até atingir o novo patamar registrado pelo levantamento mais recente.

O avanço ocorre ao mesmo tempo que cresce a escolaridade dos brasileiros. A parcela da população com 25 anos ou mais que concluiu pelo menos o ensino médio passou de 46% para 57,4% entre 2016 e 2025, enquanto o ensino superior completo avançou de 15,4% para 21,4%. O movimento amplia o acesso à qualificação profissional, ao mercado de trabalho e a serviços cada vez mais digitalizados.

Geração mais escolarizada impulsiona a alfabetização no Brasil

Dos 8,4 milhões de analfabetos registrados no país, 57,1% pertencem à população com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 4,8 milhões de pessoas.

Entre os idosos, a taxa de analfabetismo no Brasil ficou em 13,8% em 2025. Em 2016, o percentual alcançava 20,5%, mostrando que a redução também chegou às gerações mais velhas.

A concentração do analfabetismo entre idosos indica que o problema está cada vez mais associado a déficits educacionais do passado. Ao mesmo tempo, a entrada de gerações que tiveram maior acesso à escola ajuda a explicar o avanço da alfabetização no Brasil.

Escolaridade dos brasileiros alcança novo patamar

A PNAD Educação 2025 mostra que a redução do analfabetismo ocorreu paralelamente ao aumento do nível de instrução da população.

A parcela de adultos com ensino médio completo passou de 46% para 57,4% em dez anos. Desde 2022, mais da metade dos brasileiros com 25 anos ou mais já alcançou essa etapa de formação.

O percentual de pessoas com ensino superior completo também cresceu. O indicador saiu de 15,4% para 21,4% entre 2016 e 2025, expansão próxima de 39% no período.

Analfabetismo no Brasil: O que mudou na educação em dez anos

Os dados do IBGE mostram uma transformação simultânea em diferentes indicadores educacionais. A taxa de analfabetismo caiu de 6,7% para 4,9%, enquanto cerca de 2,2 milhões de pessoas deixaram a condição de analfabetismo.

No mesmo intervalo, a participação de adultos com ensino médio completo aumentou mais de 11 pontos percentuais. Já a presença de brasileiros com diploma universitário alcançou o maior nível da série apresentada pela pesquisa.

As diferenças regionais permanecem. O Nordeste registrou taxa de analfabetismo de 10,6% e concentra aproximadamente 4,8 milhões de analfabetos. Entre os moradores com 60 anos ou mais da região, 29,7% ainda não sabem ler nem escrever.

A pesquisa também mostra contrastes entre os estados. Santa Catarina registrou a menor taxa de analfabetismo do país, com 1,5%, enquanto Alagoas e Piauí apresentaram os maiores índices nacionais, ambos com 13,1%.

O conjunto dos indicadores revela uma mudança estrutural: o Brasil chega ao menor nível de analfabetismo de sua série histórica ao mesmo tempo que registra crescimento do ensino médio e do ensino superior, formando uma população adulta com níveis educacionais mais elevados do que os observados há uma década.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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