Muito antes de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna conquistarem títulos mundiais e transformarem o Brasil em referência global nas pistas, um piloto já desafiava fronteiras e colocava o país no cenário internacional do esporte a motor. Agora, o documentário Eu queria ser Chico Landi resgata a trajetória do primeiro brasileiro na Fórmula 1 e revela como um pioneiro do automobilismo brasileiro contribuiu para consolidar a presença do país na principal categoria do automobilismo mundial.
Mais do que homenagear Chico Landi, a produção recupera um capítulo decisivo da história da Fórmula 1 no Brasil ao mostrar como começou a participação brasileira na categoria, décadas antes dos títulos que tornariam o país uma potência do esporte.
Conhecer essa trajetória ajuda a compreender como grandes conquistas nacionais costumam nascer muito antes dos momentos de fama. A história de Chico Landi mostra que o sucesso brasileiro na Fórmula 1 não começou com os campeões mais conhecidos, mas com pioneiros que demonstraram que era possível competir entre os melhores do mundo.
O pioneiro que colocou o Brasil no mapa do automobilismo
Dirigido por Paulo Pastorelo, o documentário reúne imagens de arquivo e depoimentos inéditos para reconstruir a carreira de Francisco Sacco Landi, conhecido como Chico Landi.
Sua trajetória começou no Circuito da Gávea, em 1934, quando o automobilismo ainda dava seus primeiros passos no país. Poucos anos depois, acompanharia de perto o nascimento de Interlagos, autódromo inaugurado em 1940 que se transformaria em um dos principais símbolos do esporte a motor.
Considerado um dos maiores pioneiros do automobilismo brasileiro, Landi construiu sua carreira em uma época marcada por dificuldades logísticas e limitações tecnológicas. Durante a Segunda Guerra Mundial, adaptou motores para funcionar com gasogênio diante da escassez de combustíveis, garantindo que pudesse continuar competindo.
A experiência adquirida nesse período ajudou a sustentar a trajetória internacional que desenvolveria nos anos seguintes.
Como Chico Landi abriu espaço para os campeões brasileiros
Entre 1947 e 1957, Chico Landi competiu na Europa e ampliou a visibilidade do automobilismo nacional em um ambiente dominado por pilotos e equipes tradicionais.
A relevância dessa trajetória também se reflete em um feito histórico frequentemente destacado por pesquisadores do esporte: Landi tornou-se um dos primeiros brasileiros a conquistar vitórias expressivas em competições europeias, ajudando a demonstrar que pilotos do país poderiam competir em alto nível no cenário internacional.
Sua estreia como primeiro piloto brasileiro na Fórmula 1 ocorreu em 1951. O feito transformou Landi no primeiro representante do Brasil na categoria e marcou o início da presença brasileira no principal campeonato do automobilismo mundial.
Décadas depois, o impacto dessa trajetória continuaria sendo reconhecido por alguns dos maiores nomes do esporte. O título do documentário nasceu de uma declaração de Emerson Fittipaldi, que escolheu homenagear Chico Landi em uma festa à fantasia ao ser questionado sobre quem gostaria de ser.
A admiração demonstra que a influência do precursor da Fórmula 1 no Brasil foi além dos resultados obtidos nas pistas. Sua carreira serviu de referência para uma geração que mais tarde conquistaria oito títulos mundiais e consolidaria o país como uma das nações mais vencedoras da história da categoria.
Muito além da Fórmula 1
O documentário também destaca momentos que reforçam a importância histórica de Chico Landi para o desenvolvimento do esporte no país.
Entre eles estão as vitórias no GP de Bari, na Itália, em 1948 e 1952, conquistas que ampliaram o reconhecimento internacional de um brasileiro em uma época em que poucos pilotos do país competiam fora de suas fronteiras.
Outro episódio marcante foi a criação da Escuderia Bandeirantes, equipe que levou carros brasileiros ao campeonato mundial de 1952. A iniciativa representou um avanço para a indústria automotiva nacional e demonstrou que o Brasil poderia desenvolver projetos competitivos no automobilismo.
A parceria com Toni Bianco na construção de monopostos de Fórmula Júnior também contribuiu para o fortalecimento do setor e para a formação de uma cultura técnica que ajudaria a sustentar o crescimento do esporte nas décadas seguintes.
Sua contribuição também ultrapassou o papel de piloto. Ao participar do desenvolvimento de carros de competição e de iniciativas voltadas à formação de equipes nacionais, Landi ajudou a fortalecer uma cultura automobilística brasileira em um período em que o esporte ainda buscava ampliar sua estrutura e alcance no país.
O que o documentário revela sobre a origem da Fórmula 1 brasileira
O resgate dessa trajetória também ajuda a preencher uma lacuna na memória esportiva brasileira. Embora seu nome seja amplamente reconhecido por historiadores e entusiastas do automobilismo, Chico Landi permanece menos conhecido do grande público do que os campeões que vieram depois.
O documentário amplia o acesso a uma história fundamental para compreender a origem da presença brasileira na Fórmula 1. Ao recuperar a trajetória do primeiro brasileiro na categoria, a produção ajuda a explicar como o país construiu, ao longo das décadas, uma tradição que resultaria em alguns dos maiores nomes do esporte mundial.
A obra também evidencia que o sucesso brasileiro não foi resultado de conquistas isoladas, mas de um processo construído por diferentes gerações de pilotos, engenheiros, mecânicos e dirigentes que contribuíram para consolidar o automobilismo nacional.
Por que resgatar a história de Chico Landi importa hoje
Em um momento em que a preservação da memória esportiva ganha importância crescente, revisitar trajetórias como a de Chico Landi permite compreender como o Brasil construiu sua presença em cenários internacionais de excelência.
Mais do que olhar para o passado, trata-se de entender as origens de conquistas que continuam influenciando a identidade esportiva do país. Histórias como a dele ajudam a valorizar personagens que participaram da construção de referências nacionais e inspiraram gerações posteriores.
Chico Landi encerrou sua carreira como diretor de Interlagos, o autódromo que viu nascer e que hoje permanece como palco do Grande Prêmio de São Paulo e um dos circuitos mais tradicionais da Fórmula 1.
Com estreia prevista para novembro de 2026 e exibição posterior no SporTV e no Globoplay, Eu queria ser Chico Landi resgata a trajetória de um desbravador que ajudou a colocar o Brasil no mapa do automobilismo mundial.
Ao recuperar a história do primeiro brasileiro na Fórmula 1, o documentário oferece uma oportunidade de compreender como grandes transformações esportivas começam com pioneiros muitas vezes esquecidos. É uma história sobre automobilismo, mas também sobre legado, memória, inovação e a capacidade de uma geração inspirar as próximas.