Uma produção de ficção científica brasileira feita com cerca de R$ 1 mil começou a conquistar espaço no circuito internacional de festivais. A série Caesar – The Ides of March, dirigida por Quentin Lewis, aposta em cenários virtuais criados sem o uso de inteligência artificial e mostra como uma produção independente pode alcançar reconhecimento fora do país.
Inspirada na tragédia Júlio César, de William Shakespeare, a obra transporta a história para uma Roma distópica marcada por vigilância, autoritarismo e disputas pelo poder. Segundo o Canal Demais, a série foi selecionada para o Apulia Webfest 2026, na Itália, e pré-selecionada para o Mac Marin 2026, na Espanha, e para o New Jersey Web Fest, nos Estados Unidos.
Como a ficção científica brasileira ganhou escala com produção virtual
A ficção científica brasileira apresentada em Caesar – The Ides of March nasceu de um processo de produção incomum. Quentin Lewis assumiu praticamente todas as etapas do projeto, incluindo roteiro, direção, fotografia, direção de arte, montagem, iluminação, efeitos visuais e sonoplastia.
Depois das filmagens com os atores, o diretor utilizou a Unreal Engine para construir os ambientes virtuais da série. A tecnologia permitiu modificar iluminação, enquadramentos e elementos dos cenários durante a pós-produção, reduzindo custos que, em uma produção tradicional, exigiriam uma estrutura muito maior.
Embora tenha utilizado ferramentas de produção virtual, Quentin optou por não recorrer à inteligência artificial em nenhuma etapa criativa. Segundo o diretor, a decisão buscou preservar a narrativa, a atuação e o processo artístico sob controle humano durante todo o desenvolvimento da obra. Para ele, as limitações de orçamento também funcionaram como um incentivo para encontrar soluções criativas.
Produção brasileira conquista espaço em festivais internacionais
Além das seleções anunciadas para novos eventos, Caesar – The Ides of March também passou por festivais dedicados às produções independentes para a internet. A série participou do LA Webfest, em Hollywood, do Cusco Webfest, no Peru, e do Baltimore Next Media Festival, nos Estados Unidos.
Para Quentin Lewis, o principal significado desse reconhecimento não está apenas na possibilidade de conquistar prêmios, mas na oportunidade de apresentar o trabalho a realizadores que enfrentam desafios semelhantes e valorizam novas formas de produzir cinema independente.
As técnicas desenvolvidas durante a criação de Caesar já servem de base para o próximo projeto do diretor, que seguirá o mesmo modelo de produção virtual combinado com interpretações gravadas em estúdio. A proposta é continuar explorando formas de criar obras visualmente ambiciosas sem depender dos orçamentos normalmente associados ao gênero.
O percurso de Caesar – The Ides of March mostra que a ficção científica brasileira também pode alcançar o circuito internacional por meio da criatividade, do domínio técnico e do uso estratégico das novas ferramentas de produção. Ao mesmo tempo, evidencia como a produção virtual vem ampliando as possibilidades para cineastas independentes transformarem projetos de baixo orçamento em obras capazes de circular além das fronteiras brasileiras.