Da Angola ao Reino Unido: a ideia de casa aproxima autores na Flip 2026

A Flip 2026 reunirá autores marcados por experiências de migração e múltiplas identidades. Entenda o que a seleção revela sobre a literatura contemporânea.
Entre os convidados da Flip 2026 estão Zadie Smith, Ana Paula Tavares, Cármen Lúcia e Drauzio Varella, nomes presentes nos principais debates do festival.
A Flip 2026 reunirá escritores, intelectuais e personalidades de diferentes países em cinco dias de programação literária em Paraty (RJ). (Foto: Guto Fotógrafo)

Mais do que aproximar autores de diferentes países, a Flip 2026 coloca lado a lado escritores que fizeram da busca por pertencimento um dos temas centrais de suas obras. Nesta semana, entre os dias 22 e 26 de julho, em Paraty (RJ), a feira preparou uma programação reúne nomes marcados por experiências de migração, exílio, colonialismo e convivência entre culturas distintas.

A escolha da curadoria da crítica literária Rita Palmeira evidencia um ponto de encontro entre trajetórias bastante diferentes. Embora venham de contextos diversos, muitos convidados compartilham uma mesma pergunta em seus livros: o que significa chamar um lugar de casa quando a identidade atravessa fronteiras?

A programação reúne autores, intelectuais e personalidades como Zadie Smith, Cármen Lúcia, Drauzio Varella e Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões 2025. Ao longo das mesas, literatura, memória, democracia e circulação cultural aparecem como caminhos para discutir experiências humanas que ultrapassam os limites de um único país.

Trajetórias diferentes se encontram pelo tema do pertencimento

A relação entre literatura e deslocamento aparece em diferentes momentos da programação da Flip 2026. O escritor Eduardo Halfon vive em Berlim. Suas obras partem das memórias familiares e das experiências que atravessaram sua vida. Ao longo da carreira, ele também passou a explorar as múltiplas identidades presentes em sua trajetória.

Também participam do festival Kamel Daoud, Nathacha Appanah e Ève Guerra, autores cujas obras dialogam com migração, colonialismo e encontros entre diferentes culturas. Já a britânica Zadie Smith leva à festa literária reflexões sobre identidade, imigração e os efeitos históricos do colonialismo.

A presença desses escritores mostra como a literatura contemporânea tem ampliado o olhar sobre experiências compartilhadas por milhões de pessoas em diferentes partes do mundo, aproximando histórias que nasceram em contextos distintos.

A literatura aproxima países por meio das experiências humanas

Entre os destaques da programação está a participação da angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões 2025. A escritora discutirá sua produção literária e as conexões históricas e culturais entre Angola e Brasil, ampliando o diálogo entre diferentes territórios da língua portuguesa.

A edição de 2026 também homenageia a poeta Orides Fontela (1940–1998). Reconhecida pela escrita concisa e pela reflexão filosófica presente em sua obra, Orides Fontela inspira os títulos das mesas desta edição. A escolha reforça o convite para que o público reflita sobre memória, identidade e existência.

Criada em 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty consolidou-se como um dos principais encontros literários do país. Ao reunir autores de diferentes continentes em torno de temas que atravessam fronteiras, a Flip 2026 mostra como a literatura continua criando pontes entre culturas e experiências humanas que, apesar das distâncias geográficas, dialogam entre si.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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