Proteger adolescentes nas redes sociais ficou mais desafiador à medida que conteúdos que incentivam a misoginia passaram a circular de forma cada vez mais discreta nas plataformas digitais. Para ajudar pais e responsáveis a reconhecer esses sinais antes que influenciem o comportamento dos jovens, a ONU Mulheres e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançaram um guia gratuito, nesta quarta-feira (22/07) com orientações práticas.
O alerta ganhou força porque muitos adolescentes não chegam a esse tipo de conteúdo de forma direta. Segundo um levantamento da Revista AzMina e do Núcleo Jornalismo, citado pelas Nações Unidas, a exposição costuma começar por vídeos de motivação, autoestima e desenvolvimento pessoal. A partir dessas interações, os algoritmos das plataformas podem ampliar gradualmente as recomendações para conteúdos mais radicais.
Batizada de “No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis”, a publicação explica como funciona a chamada machosfera, apresenta sinais de alerta, esclarece os principais termos usados nesses grupos e reúne estratégias para fortalecer o diálogo entre famílias e adolescentes.
Como proteger adolescentes nas redes antes que a influência aumente
O guia explica que a aproximação com a machosfera costuma acontecer de forma gradual e, muitas vezes, sem que famílias percebam as mudanças no início. Por isso, a publicação orienta pais e responsáveis a observar alterações na linguagem, no comportamento e nos conteúdos consumidos pelos adolescentes, criando oportunidades para conversar antes que esse tipo de influência se fortaleça.
Para ajudar as famílias a identificar esse processo, a publicação apresenta sinais de alerta relacionados a mudanças de comportamento e de linguagem. Também reúne perguntas adaptadas para diferentes faixas etárias, que incentivam o pensamento crítico sobre o conteúdo consumido nas redes sociais.
Entre as orientações práticas, o material explica os principais grupos e expressões ligados à machosfera, mostra como funcionam os algoritmos que impulsionam esse tipo de conteúdo, orienta como conversar com adolescentes sem julgamentos e traz recomendações específicas para apoiar meninas expostas a mensagens misóginas.
Diálogo e informação são as principais ferramentas de prevenção
Segundo a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, o objetivo é mostrar que pais e responsáveis não precisam enfrentar esse desafio sozinhos. O guia incentiva conversas abertas para fortalecer valores como respeito, igualdade e convivência.
O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, ressalta que famílias, escolas e comunidades exercem papel importante durante a formação da identidade dos adolescentes. Oferecer referências positivas sobre masculinidade, segundo ele, ajuda a reduzir a influência de conteúdos que reforçam estereótipos e a intolerância de gênero.
Disponível gratuitamente nos canais oficiais da ONU Mulheres Brasil e do Unicef Brasil, a publicação oferece ferramentas para proteger adolescentes nas redes, identificar mudanças de comportamento e ampliar o diálogo sobre o uso das plataformas digitais antes que conteúdos nocivos se consolidem.