Investimentos em cultura no Brasil podem ganhar impulso com apoio do Banco do BRICS

Os investimentos em cultura no Brasil podem ganhar uma nova escala com a apresentação de projetos do Ministério da Cultura ao Banco do BRICS. As propostas incluem modernização sustentável de equipamentos culturais, expansão dos CEUs da Cultura e fortalecimento da economia criativa.
Márcio Tavares apresenta projetos para ampliar investimentos em cultura no Brasil durante encontro com Dilma Rousseff no Banco do BRICS
O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, se reúne com Dilma Rousseff, presidenta do Banco do BRICS, para apresentar projetos voltados à modernização da infraestrutura cultural, expansão dos CEUs da Cultura e fortalecimento da economia criativa brasileira. (Foto: Tarcisio Boquady/MinC)

A busca por novos investimentos em cultura no Brasil ganhou força após a apresentação de projetos estratégicos do Ministério da Cultura (MinC) ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do BRICS. A iniciativa abre caminho para que projetos de infraestrutura cultural, inovação e economia criativa tenham acesso a fontes internacionais de financiamento.

Durante encontro realizado em Xangai, na China, o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, apresentou propostas voltadas à modernização da infraestrutura cultural brasileira, à ampliação de equipamentos públicos e ao fortalecimento do setor criativo. O movimento sinaliza uma mudança importante: a cultura passa a ocupar espaço em uma agenda tradicionalmente associada a obras estruturantes, desenvolvimento sustentável e investimentos estratégicos.

Apoio

Para a população, o tema vai além da diplomacia e dos acordos institucionais. Caso os projetos avancem, os recursos podem contribuir para a modernização de espaços culturais, ampliação de atividades gratuitas, fortalecimento de programas de formação artística e expansão de equipamentos que atendem comunidades em diferentes regiões do país.

Na prática, isso pode significar mais centros culturais funcionando em cidades que hoje possuem oferta limitada de atividades artísticas, além da recuperação de estruturas já existentes e da ampliação de iniciativas voltadas à educação, inclusão social e acesso à cultura.

Tradicionalmente associado ao financiamento de obras de infraestrutura, energia, mobilidade e desenvolvimento sustentável, o Novo Banco de Desenvolvimento tem ampliado sua atuação para iniciativas ligadas à inovação e à inclusão social. Nesse contexto, a aproximação com o Ministério da Cultura sinaliza que projetos culturais começam a ser reconhecidos também como investimentos capazes de fortalecer territórios, gerar oportunidades e ampliar o alcance das políticas públicas.

Investimentos em cultura no Brasil: Por que o Banco do BRICS está olhando para a cultura

Entre os projetos apresentados ao NDB está a proposta de reconversão verde de equipamentos culturais. A iniciativa prevê a modernização de espaços públicos com foco em sustentabilidade, eficiência energética e adaptação às novas exigências ambientais.

A proposta acompanha uma tendência internacional que conecta cultura, desenvolvimento urbano e transição ecológica. Nesse modelo, museus, bibliotecas, centros culturais e outros equipamentos públicos passam a ser vistos também como instrumentos de qualificação urbana e fortalecimento das comunidades.

Outro eixo apresentado envolve o desenvolvimento tecnológico da economia criativa brasileira, setor que reúne atividades ligadas ao audiovisual, música, artes visuais, design, patrimônio cultural e inovação digital.

O fortalecimento da economia criativa pode ampliar a competitividade da produção cultural nacional, estimular novos negócios e gerar oportunidades de trabalho em diferentes regiões do país. Trata-se de um segmento cada vez mais valorizado por sua capacidade de combinar criatividade, inovação e geração de renda.

Como os investimentos podem chegar às cidades brasileiras

Márcio Tavares também detalhou o projeto federal de criação de novos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs da Cultura), além da ampliação da rede MovCeus, formada por equipamentos culturais itinerantes, ampliando investimentos em cultura no Brasil.

A proposta inclui ainda a reforma e modernização de unidades já existentes, ampliando a capacidade de atendimento dessas estruturas.

Para muitas comunidades, os CEUs funcionam como portas de entrada para atividades culturais, esportivas e educativas. A ampliação dessa rede pode levar oficinas, apresentações artísticas, ações de formação e iniciativas de inclusão cultural para localidades que atualmente contam com poucas oportunidades de acesso.

A expansão da infraestrutura cultural brasileira também enfrenta um desafio histórico do país: a distribuição desigual de equipamentos culturais. Em muitas cidades, especialmente fora dos grandes centros urbanos, o acesso a bibliotecas, centros culturais, salas de exibição e espaços de formação artística ainda é limitado. O fortalecimento dessa rede pode ampliar o alcance das políticas públicas e aproximar oportunidades culturais de comunidades historicamente menos atendidas.

Brasil e China ampliam cooperação cultural

A reunião também abordou a programação do Ano Cultural Brasil-China 2026, iniciativa promovida pelos governos dos dois países para fortalecer intercâmbios culturais e aprofundar a parceria estratégica bilateral.

Além da diplomacia cultural, ações desse tipo podem ampliar a circulação internacional de produções brasileiras, estimular coproduções audiovisuais e abrir novas oportunidades para artistas, produtores e empreendedores da economia criativa.

O fortalecimento dessas relações ganha relevância em um momento em que a cultura ocupa espaço crescente nas estratégias de desenvolvimento adotadas por diferentes países, especialmente em setores ligados à inovação, turismo, criatividade e produção de conhecimento.

Investimentos em cultura no Brasil: “Tela Brasil” amplia acesso gratuito ao audiovisual brasileiro

Durante o encontro, o secretário-executivo do MinC apresentou ainda a plataforma pública de streaming Tela Brasil, lançada pelo governo federal em 30 de maio.

O serviço reúne gratuitamente 555 produções audiovisuais brasileiras financiadas com recursos públicos ou preservadas por instituições vinculadas ao Sistema MinC. Entre elas estão 19 obras que representaram o Brasil na disputa pelo Oscar.

A plataforma foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e disponibiliza 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas.

Além de democratizar o acesso ao patrimônio audiovisual nacional, a plataforma amplia a disponibilidade de obras brasileiras que antes permaneciam concentradas em acervos especializados, mostras culturais e circuitos restritos de exibição.

Ao apresentar o Tela Brasil e os projetos de modernização da infraestrutura cultural ao Banco do BRICS, o governo sinaliza uma estratégia que busca ampliar o acesso à cultura, fortalecer a economia criativa, modernizar equipamentos públicos e aumentar as oportunidades de participação cultural em diferentes regiões do Brasil.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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