Quem faz tratamento para obesidade com medicamentos à base de semaglutida pode contar, no futuro, com uma alternativa às aplicações semanais. Um implante de semaglutida em desenvolvimento foi projetado para liberar o medicamento continuamente durante vários meses e, segundo a empresa responsável pela tecnologia, poderá futuramente ser utilizado apenas uma ou duas vezes por ano, caso os estudos confirmem sua eficácia e segurança.
A empresa de biotecnologia Vivani Medical desenvolveu a tecnologia NPM-139, que agora a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e do Ozempic, avalia. Os pesquisadores projetaram o dispositivo para a fase de manutenção do tratamento da obesidade, mas ele ainda precisará passar pelos estudos clínicos e pela avaliação dos órgãos reguladores antes de chegar aos pacientes.
A proposta busca enfrentar um dos principais desafios do tratamento da obesidade: manter a terapia por longos períodos. Segundo a Vivani Medical, reduzir a frequência das aplicações pode facilitar a continuidade do tratamento para pacientes que já utilizam medicamentos da classe GLP-1.
Implante de semaglutida libera o medicamento durante vários meses
O dispositivo funciona como um pequeno reservatório de titânio implantado sob a pele. Em uma das extremidades, uma membrana com milhões de microcanais controla a liberação gradual da semaglutida para a corrente sanguínea.
Na prática, o sistema foi desenvolvido para liberar o medicamento de forma contínua ao longo de vários meses. O funcionamento lembra o do anticoncepcional subdérmico Implanon, embora utilize uma substância e tenha uma finalidade completamente diferentes.
Segundo a desenvolvedora, a proposta não é substituir o tratamento inicial, mas oferecer uma alternativa para pacientes que já utilizam semaglutida e precisam manter a terapia por mais tempo.
Estudos ainda vão confirmar segurança e eficácia
Até agora, os resultados divulgados para o NPM-139 são pré-clínicos. Em testes realizados com roedores, o implante promoveu redução de aproximadamente 20% do peso corporal após um ano de uso.
A empresa também avaliou outra versão da mesma plataforma tecnológica, chamada NPM-115, formulada com exenatida, outro medicamento da classe dos agonistas do GLP-1. No estudo clínico LIBERATE-1, realizado com 24 adultos com sobrepeso ou obesidade, o implante apresentou perfil de segurança considerado adequado, sem registro de efeitos adversos graves.
O próximo passo será o estudo clínico de Fase 1 do NPM-139. Os pesquisadores vão comparar o implante ao Wegovy para avaliar a segurança, a tolerabilidade e a liberação da semaglutida no organismo.
O que falta para a tecnologia chegar aos pacientes
Mesmo com o acordo firmado entre Vivani Medical e Novo Nordisk, o implante de semaglutida ainda não tem autorização para uso clínico. Depois da Fase 1, os pesquisadores precisarão concluir as demais etapas do estudo para comprovar a eficácia, a segurança e a duração do efeito do dispositivo antes que as autoridades regulatórias façam a análise.
Até que os estudos sejam concluídos e o implante obtenha aprovação dos órgãos reguladores, as aplicações semanais continuam sendo a forma disponível de tratamento com semaglutida para pacientes que recebem indicação médica. Se os resultados das próximas fases forem positivos, a nova tecnologia poderá ampliar as opções de manutenção do tratamento da obesidade.