Implante de semaglutida pode substituir canetas contra obesidade com 1 ou 2 aplicações ao ano

Um implante de semaglutida busca reduzir as aplicações contra obesidade, mas a proposta de uso anual ainda precisa ser confirmada em estudos com humanos.
O implante de semaglutida foi desenvolvido para liberar o medicamento continuamente durante vários meses e ainda está em fase de testes.
O implante de semaglutida busca reduzir a frequência das aplicações durante a manutenção do tratamento da obesidade. (Foto: Unsplash)

Quem faz tratamento para obesidade com medicamentos à base de semaglutida pode contar, no futuro, com uma alternativa às aplicações semanais. Um implante de semaglutida em desenvolvimento foi projetado para liberar o medicamento continuamente durante vários meses e, segundo a empresa responsável pela tecnologia, poderá futuramente ser utilizado apenas uma ou duas vezes por ano, caso os estudos confirmem sua eficácia e segurança.

A empresa de biotecnologia Vivani Medical desenvolveu a tecnologia NPM-139, que agora a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e do Ozempic, avalia. Os pesquisadores projetaram o dispositivo para a fase de manutenção do tratamento da obesidade, mas ele ainda precisará passar pelos estudos clínicos e pela avaliação dos órgãos reguladores antes de chegar aos pacientes.

A proposta busca enfrentar um dos principais desafios do tratamento da obesidade: manter a terapia por longos períodos. Segundo a Vivani Medical, reduzir a frequência das aplicações pode facilitar a continuidade do tratamento para pacientes que já utilizam medicamentos da classe GLP-1.

Implante de semaglutida libera o medicamento durante vários meses

O dispositivo funciona como um pequeno reservatório de titânio implantado sob a pele. Em uma das extremidades, uma membrana com milhões de microcanais controla a liberação gradual da semaglutida para a corrente sanguínea.

Na prática, o sistema foi desenvolvido para liberar o medicamento de forma contínua ao longo de vários meses. O funcionamento lembra o do anticoncepcional subdérmico Implanon, embora utilize uma substância e tenha uma finalidade completamente diferentes.

Segundo a desenvolvedora, a proposta não é substituir o tratamento inicial, mas oferecer uma alternativa para pacientes que já utilizam semaglutida e precisam manter a terapia por mais tempo.

Estudos ainda vão confirmar segurança e eficácia

Até agora, os resultados divulgados para o NPM-139 são pré-clínicos. Em testes realizados com roedores, o implante promoveu redução de aproximadamente 20% do peso corporal após um ano de uso.

A empresa também avaliou outra versão da mesma plataforma tecnológica, chamada NPM-115, formulada com exenatida, outro medicamento da classe dos agonistas do GLP-1. No estudo clínico LIBERATE-1, realizado com 24 adultos com sobrepeso ou obesidade, o implante apresentou perfil de segurança considerado adequado, sem registro de efeitos adversos graves.

O próximo passo será o estudo clínico de Fase 1 do NPM-139. Os pesquisadores vão comparar o implante ao Wegovy para avaliar a segurança, a tolerabilidade e a liberação da semaglutida no organismo.

O que falta para a tecnologia chegar aos pacientes

Mesmo com o acordo firmado entre Vivani Medical e Novo Nordisk, o implante de semaglutida ainda não tem autorização para uso clínico. Depois da Fase 1, os pesquisadores precisarão concluir as demais etapas do estudo para comprovar a eficácia, a segurança e a duração do efeito do dispositivo antes que as autoridades regulatórias façam a análise.

Até que os estudos sejam concluídos e o implante obtenha aprovação dos órgãos reguladores, as aplicações semanais continuam sendo a forma disponível de tratamento com semaglutida para pacientes que recebem indicação médica. Se os resultados das próximas fases forem positivos, a nova tecnologia poderá ampliar as opções de manutenção do tratamento da obesidade.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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