Os 4 cientistas que ajudaram a salvar milhões de vidas e pouca gente conhece

Maurice Hilleman, Karl Landsteiner e Norman Borlaug deixaram avanços presentes em vacinas, transfusões de sangue e produção de alimentos.
Os quatro cientistas deixaram contribuições que seguem presentes na saúde e na alimentação, mesmo que seus nomes sejam pouco conhecidos pelo grande público.
Cientistas que ajudaram a salvar milhões de vidas deixaram contribuições presentes até hoje em vacinas, transfusões de sangue e produção de alimentos. (Foto: reprodução / Google Fotos)

Vacinar uma criança, receber uma transfusão de sangue ou encontrar alimento suficiente nas prateleiras parece não ter muita coisa em comum. Mas alguns desses avanços só se tornaram possíveis graças ao trabalho de cientistas que salvaram vidas e cujos nomes continuam pouco conhecidos fora do meio acadêmico.

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Entre eles está Maurice Hilleman, pesquisador ligado ao desenvolvimento de vacinas contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, catapora e hepatites A e B. O impacto de seu trabalho é tão grande que o Vaccine Education Center, do Children’s Hospital of Philadelphia, estima que suas contribuições ajudem a salvar cerca de 8 milhões de vidas todos os anos.

Karl Landsteiner mudou a segurança das transfusões ao demonstrar que o sangue humano possui diferentes grupos. Norman Borlaug, por sua vez, ajudou a elevar a produção de trigo em países que enfrentavam dificuldades para alimentar populações em rápido crescimento.

As histórias mostram que alguns dos avanços mais importantes para a vida cotidiana se tornaram tão presentes que seus criadores acabaram ficando menos conhecidos do que as próprias descobertas.

Maurice Hilleman ajudou a criar vacinas usadas até hoje

O nome de Maurice Hilleman pode não ser imediatamente reconhecido, mas várias vacinas associadas ao pesquisador continuam fazendo parte da rotina de imunização em diferentes países.

Ele participou do desenvolvimento de imunizantes contra sarampo, caxumba, rubéola, catapora e hepatites A e B, além de ter trabalhado em outras vacinas ao longo da carreira.

Uma das histórias mais conhecidas de sua trajetória envolve a própria filha. Quando Jeryl Lynn teve caxumba aos 5 anos, Hilleman coletou uma amostra do vírus da garganta da menina. A amostra deu origem à cepa Jeryl Lynn, usada posteriormente no desenvolvimento de uma vacina contra a doença. Hilleman morreu em 2005, aos 85 anos, mas parte de seu trabalho permanece presente nos calendários de vacinação.

Karl Landsteiner tornou as transfusões de sangue mais seguras

No início do século 20, uma transfusão de sangue ainda podia terminar em uma reação grave sem que os médicos compreendessem completamente o motivo.

Karl Landsteiner ajudou a mudar esse cenário ao identificar diferentes grupos sanguíneos e demonstrar que a mistura de tipos incompatíveis poderia provocar a aglutinação das células do sangue.

A descoberta permitiu estabelecer quais tipos sanguíneos poderiam ser utilizados com maior segurança em transfusões e abriu caminho para práticas que hoje fazem parte da medicina de emergência, de cirurgias e do tratamento de diferentes doenças.

O trabalho levou Landsteiner a receber o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1930 pela descoberta dos grupos sanguíneos humanos. Desde então, seu legado continua presente cada vez que um paciente passa por uma tipagem sanguínea antes de receber uma transfusão.

Norman Borlaug ajudou países a produzir mais alimentos

Norman Borlaug teve impacto em outra necessidade essencial: a produção de alimentos. O agrônomo desenvolveu variedades de trigo de porte baixo e resistentes a doenças e participou da adoção de técnicas agrícolas que elevaram a produtividade inicialmente no México.

Na década de 1960, variedades desenvolvidas a partir desse trabalho chegaram também à Índia e ao Paquistão. Nos anos seguintes, os dois países registraram forte crescimento na produção de trigo.

O conjunto dessas transformações ficou associado à chamada Revolução Verde, período marcado pelo uso de variedades de alto rendimento, fertilizantes, irrigação e novas práticas agrícolas em diferentes regiões do mundo.

Borlaug recebeu o Nobel da Paz em 1970 por sua contribuição para o aumento da produção de alimentos e para o combate à fome.

Edward Jenner abriu caminho para a vacinação contra a varíola

Antes de Hilleman e de outros pesquisadores envolvidos na vacinação moderna, Edward Jenner realizou um experimento que se tornaria um marco na história da imunização.

Em 1796, o médico inglês desenvolveu a primeira vacina bem-sucedida contra a varíola, doença que provocou epidemias e milhões de mortes ao longo dos séculos.

A descoberta não eliminou a doença imediatamente. Foram necessários quase dois séculos de vacinação, vigilância e ações internacionais de saúde pública até que a transmissão fosse interrompida.

Em 1980, a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente a varíola erradicada. Foi a primeira — e até hoje uma das raríssimas — doenças humanas eliminadas mundialmente por uma campanha de saúde pública.

O legado aparece mesmo quando o nome desaparece

Comparar exatamente quantas vidas cada cientista ajudou a salvar é difícil. Uma descoberta inicial costuma ser aperfeiçoada, produzida em escala e aplicada por milhares de outras pessoas ao longo de décadas.

Por isso, números associados a determinados pesquisadores devem ser tratados como estimativas, e não como um ranking definitivo de quem salvou mais vidas na história, segundo a BBC, que apurou o estudo.

O impacto, porém, pode ser observado de outra maneira. Hilleman está presente nas vacinas que continuam prevenindo doenças. Landsteiner, na compatibilidade verificada antes de uma transfusão. Borlaug, nas técnicas e variedades agrícolas que ajudaram a elevar a produção de alimentos.

E Jenner permanece ligado a uma das maiores conquistas da saúde pública: a erradicação mundial da varíola.

Em alguns casos, para encontrar o legado desses cientistas que salvaram milhares de vidas, basta olhar para uma carteira de vacinação, uma bolsa de sangue ou para os alimentos que chegam diariamente à mesa.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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