Brasileira de 83 anos completa 634 km no Caminho de Santiago e realiza sonho antigo

No Caminho de Santiago, Marlene Terezinha de Carvalho Leite caminhou entre 15 e 25 km por dia durante 17 dias, superou imprevistos e concluiu a peregrinação após dois meses de preparação.
Marlene Terezinha de Carvalho Leite segura a Compostela, certificado do Caminho de Santiago, durante registro ao ar livre após concluir a peregrinação.
Marlene Terezinha de Carvalho Leite exibe a Compostela, certificado oficial recebido após concluir o Caminho de Santiago em uma caminhada de cerca de 634 quilômetros entre Portugal e Espanha. (Foto: GZH)

Marlene Terezinha de Carvalho Leite, de 83 anos, percorreu cerca de 634 quilômetros praticamente sozinha e concluiu o Caminho de Santiago após 17 dias de caminhada entre Lisboa, em Portugal, e Santiago de Compostela, na Espanha, em março de 2026. Sem experiência anterior em longas peregrinações, a aposentada preparou-se durante dois meses para realizar um sonho iniciado anos antes.

Moradora de Imbé, no litoral norte do Rio Grande do Sul, a ex-professora caminhou entre 15 e 25 quilômetros por dia. Ao longo do percurso, enfrentou cansaço, perdeu o caminho em três ocasiões e precisou adaptar parte do roteiro para seguir até o destino final. A história dela foi divulgada no último 29/06 pelo GZH, como exemplo de superação.

O projeto começou cerca de oito anos antes, quando ela conheceu duas brasileiras que haviam percorrido a rota histórica. Desde então, a conversa transformou a curiosidade em um objetivo pessoal que permaneceu até a realização da viagem.

Para tirar o plano do papel, Marlene vendeu um apartamento em 2025, reservou parte do valor para a viagem e treinou de segunda a sexta-feira. A preparação incluiu caminhadas, alongamentos e exercícios para ganhar resistência antes do embarque.

Caminho de Santiago exigiu preparo físico e planejamento

A rotina de treinamento incluiu caminhadas na esteira em ritmo equivalente a seis quilômetros por hora. Assim, a aposentada desenvolveu resistência para enfrentar as etapas diárias do percurso.

Além do esforço físico, a mochila de aproximadamente cinco quilos tornou-se um dos principais obstáculos da viagem. Por causa do desgaste acumulado, Marlene fez de trem o trecho entre Santarém e Porto e, mais tarde, utilizou um carro por aplicativo para chegar ao albergue onde havia conseguido hospedagem.

Hipertensa, mas sem limitações físicas, a aposentada também adotou cuidados diários com os pés. Por isso, Marlene aplicou diariamente vaselina e um produto em pó nos pés para evitar bolhas, enquanto praticamente não utilizou o cajado que levou na bagagem.

Marlene segura o passaporte do peregrino aberto, mostrando os carimbos obtidos durante o Caminho de Santiago.
O passaporte do peregrino de Marlene Terezinha de Carvalho Leite reúne os carimbos recebidos ao longo dos 634 quilômetros percorridos entre Lisboa e Santiago de Compostela, registro que permitiu a emissão da Compostela ao fim da caminhada. (Foto: GZH)

Solidariedade acompanhou a peregrinação

As noites foram passadas em albergues municipais e particulares. Como muitos deles não ofereciam café da manhã, a alimentação dependia dos estabelecimentos encontrados pelo caminho, o que resultou em períodos prolongados sem refeições.

Em uma dessas situações, um restaurante preparou um frango especialmente para a peregrina ao perceber o desgaste provocado pela caminhada. Depois, voluntárias do Mosteiro de São Salvador de Vairão acolheram Marlene após uma etapa enfrentada sob chuva intensa.

A brasileira também encontrou apoio de três jovens peregrinos, um italiano, um espanhol e um argentino, que cruzaram seu caminho em diferentes etapas da jornada. Esses reencontros deram suporte à aposentada nos momentos de maior desgaste físico.

Compostela marcou o fim da caminhada

Ao chegar à Catedral de Santiago de Compostela, Marlene recebeu a Compostela, certificado oficial concedido aos peregrinos que concluem uma das rotas históricas reconhecidas pela igreja.

Segundo a aposentada, o investimento total ficou entre R$ 25 mil e R$ 30 mil, incluindo passagens aéreas, hospedagem, alimentação e seguro de viagem. Já os albergues representaram um gasto médio diário de aproximadamente R$ 300.

Na volta ao Brasil, Marlene trouxe a Compostela preenchida com os carimbos do percurso, além da tradicional vieira, símbolo do Caminho de Santiago, mapas, fotografias e os registros dos albergues onde se hospedou durante os 17 dias da viagem.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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