Servente de pedreiro bailarino vence preconceitos e chega ao maior festival de dança do país

Servente de pedreiro bailarino supera barreiras, conquista vaga no Festival de Joinville e transforma a dança em símbolo de esperança. Conheça a trajetória.
Entre a obra e o palco, o servente de pedreiro bailarino encontrou na dança uma forma de expressão e esperança.
O servente de pedreiro bailarino enfrenta preconceitos, mas mantém a dedicação à dança e à construção civil. (Foto: reprodução/Instagram)

O servente de pedreiro bailarino Pedro Batista, de 21 anos, decidiu seguir na dança mesmo após enfrentar preconceitos em dois ambientes da própria rotina. Em Ribeirão Preto (SP), ele trabalha na construção civil e pratica balé, modalidade que passou a ocupar parte dos dias do jovem entre ensaios, estudos e apresentações.

Além do trabalho em obras, a rotina do jove bailarino e servente de pedreiro inclui a venda de cookies para complementar a renda e aulas em uma escola de dança onde conquistou uma bolsa de estudos. Em vez de escolher apenas um caminho, Pedro manteve a profissão e a formação artística ao mesmo tempo.

Com o passar do tempo, a convivência entre obra e balé revelou semelhanças que ele não esperava encontrar. Nos dois espaços, o jovem lida com exigência física, repetição de movimentos, disciplina e técnica para executar tarefas sem se machucar.

Ainda assim, os julgamentos não interromperam os planos servente de pedreiro no balé. A continuidade nos treinos levou Pedro ao Festival de Dança de Joinville, considerado o maior do país, após uma trajetória marcada por comentários relacionados à profissão e à presença masculina na dança clássica.

Servente de pedreiro bailarino encontrou na dança uma forma de expressão

Para Pedro, a dança ocupa um espaço central nos projetos de vida dele. Segundo ele, um bailarino da construção civil tem muito o que agregar nas duas profissões. Os movimentos permitem transmitir felicidade, tristeza, raiva e esperança, além de criar formas próprias de expressão.

O interesse começou na infância, quando assistia a vídeos de hip hop na internet e reproduzia os passos em casa. Sem formação especializada naquele período, aprendeu observando apresentações e treinando por conta própria.

Mais tarde, o jovem bailarino e servente de pedreiro se aproximou da dança após receber um papel em um espetáculo e conquistar uma bolsa de estudos em uma escola de dança de Ribeirão Preto. A oportunidade marcou a entrada dele na modalidade à qual passou a dedicar grande parte da rotina.

Preconceitos apareceram na obra e também na escola de dança

Na construção civil, Pedro ouviu comentários ligados à ideia de que homens não deveriam praticar balé. Os julgamentos acompanharam o jovem desde o início das aulas.

Ao mesmo tempo, ele encontrou resistência dentro do ambiente artístico. Em alguns momentos, percebeu desconfiança quando mencionava que era um bailarino da construção civil, como se a profissão reduzisse a seriedade de sua dedicação à dança.

Mesmo diante dessas situações, Pedro continuou trabalhando como servente de pedreiro e frequentando as aulas de balé.

Construção civil e balé têm exigências em comum

Com a experiência acumulada nos dois ambientes, Pedro passou a identificar pontos de contato entre eles. Para ele, tanto a dança quanto o trabalho em obras exigem força física, domínio técnico e atenção constante para evitar lesões.

Além disso, o jovem bailarino e servente de pedreiro utiliza aprendizados adquiridos em cada atividade para melhorar o desempenho na outra. A combinação contribuiu para desenvolver resistência, coordenação e concentração durante os treinos.

Hoje, com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, Pedro compartilha ensaios, apresentações e momentos da rotina de bailarino da construção civil. O conteúdo aproxima a dança de pessoas que normalmente não frequentam esse meio e amplia a mensagem que pretende levar ao palco: esperança.

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