Pessoas atendidas no hospital Maugeri, em Milão, passaram a contar com um robô capaz de registrar sintomas, transportar objetos e facilitar o contato com equipes médicas. Desenvolvido pelo Instituto Italiano de Tecnologia (IIT) e pela Universidade de Pisa, o Alter-Ego executa atividades de apoio que costumam ocupar parte da rotina assistencial.
Com 1,2 metro de altura, o equipamento acompanha deslocamentos dentro da unidade, participa de atendimentos remotos e interage diretamente com usuários por meio de uma tela instalada em seu corpo.
Os pesquisadores criaram a tecnologia para assumir atividades operacionais que não exigem avaliação clínica, permitindo que profissionais concentrem mais tempo em funções ligadas ao cuidado direto.
A iniciativa leva a robótica para uma etapa diferente da assistência em saúde, baseada na convivência diária com pessoas e no contato físico seguro durante atividades de apoio.
Robô hospitalar foi projetado para contato seguro com pessoas
O principal diferencial do Alter-Ego está nos sistemas desenvolvidos para reduzir riscos durante a interação física. Seus braços utilizam músculos artificiais capazes de adaptar os movimentos conforme cada atividade.
Essa estrutura permite entregar objetos, alcançar itens próximos e realizar movimentos delicados sem aplicar força excessiva. O mecanismo ajusta automaticamente a resistência dos braços durante a operação.
Nas extremidades, o robô humanoide utiliza a SoftHand, uma mão multiarticulada baseada em robótica flexível. O sistema reproduz parte da maleabilidade da mão humana para segurar, transportar e entregar objetos de forma controlada.
Tecnologia amplia suporte durante a rotina hospitalar
Entre as aplicações já utilizadas está o acompanhamento de sintomas. Ao registrar o nível de dor na tela instalada no equipamento, o usuário envia as informações diretamente para a equipe de enfermagem.
Durante os testes, o sistema também conversa com usuários, leva uma garrafa de água, orienta deslocamentos internos e funciona como plataforma de telepresença para médicos que participam de consultas à distância.
Por enquanto, um operador controla o equipamento remotamente. A equipe responsável pelo projeto prevê o início da operação autônoma a partir de julho após a conclusão da fase atual de validação.

Testes avaliam uso da tecnologia fora dos hospitais
Os pesquisadores utilizam a fase atual para identificar quais atividades podem ser executadas com segurança por sistemas autônomos em ambientes de saúde. O trabalho reúne profissionais, cuidadores e usuários da tecnologia.
A avaliação inclui interação física, circulação por corredores, entrega de objetos e comunicação entre diferentes áreas da unidade. Os resultados ajudam a definir os limites operacionais do sistema em ambientes reais.
Os testes atuais também incluem situações que reproduzem rotinas fora do hospital. A equipe analisa como a tecnologia responde a solicitações de ajuda, deslocamentos e atividades cotidianas realizadas em residências e centros de reabilitação.
