Uma atividade realizada apenas duas vezes por semana ajudou parte de adultos com depressão moderada e grave a atingir remissão da depressão em um estudo publicado no Journal of Affective Disorders. A pesquisa avaliou a caminhada nórdica, modalidade praticada com bastões, durante um programa de 10 semanas.
O trabalho acompanhou 64 adultos sedentários diagnosticados com sintomas depressivos moderados ou severos. Entre os participantes que aderiram à atividade, de 35% a 53% alcançaram melhora suficiente para que os sinais da doença deixassem de ser classificados como depressão clínica.
Outro dado observado foi que os voluntários mantiveram o tratamento medicamentoso durante todo o estudo. A melhora registrada ocorreu sem interrupção da terapia já prescrita, indicando que a atividade foi utilizada como complemento ao cuidado já existente.
Os maiores resultados surgiram nas cinco primeiras semanas do programa. O efeito foi observado justamente em pessoas que costumam enfrentar maiores dificuldades para iniciar e manter exercícios físicos de forma regular.
O que o estudo descobriu sobre caminhada nórdica e depressão
- 64 adultos participaram da pesquisa.
- O programa durou 10 semanas.
- As sessões ocorreram duas vezes por semana.
- Entre 35% e 53% atingiram remissão da depressão.
- Nenhum participante interrompeu a medicação prescrita.
Caminhada com bastões mobiliza até 90% da musculatura
Conhecida também como caminhada com bastões, a modalidade combina o deslocamento tradicional com movimentos sincronizados dos braços. O método surgiu na Finlândia como treinamento para esquiadores durante períodos sem neve e posteriormente passou a integrar programas de condicionamento físico e reabilitação.
Segundo os pesquisadores, a prática pode mobilizar até 90% da musculatura corporal, ampliando o esforço realizado em comparação com uma caminhada convencional.
Durante o estudo, os participantes realizaram sessões de uma hora, duas vezes por semana, sempre acompanhados por instrutores. Os grupos reuniam entre quatro e dez pessoas ao longo das atividades.
Caminhada nórdica: Exercício para depressão apresentou resposta mais rápida nas primeiras semanas
A avaliação foi realizada por meio de uma escala clínica utilizada para medir sintomas depressivos. Os resultados mostraram melhora consistente entre os participantes que aderiram à intervenção.
Os pesquisadores verificaram que os avanços mais expressivos ocorreram no início do acompanhamento. As respostas mais fortes apareceram entre os voluntários que apresentavam os quadros mais intensos antes do início das atividades.
Na segunda metade do programa, os ganhos adicionais passaram a ocorrer de forma menos acentuada, comportamento descrito pelos autores como um possível efeito de estabilização dos resultados.
Atividade física para depressão amplia opções de tratamento complementar
O grupo de comparação manteve a rotina habitual durante todo o período de acompanhamento. Ao final das 10 semanas, as diferenças entre os participantes apareceram nas avaliações clínicas utilizadas pelos pesquisadores.
A pesquisa não propõe substituir medicamentos ou psicoterapia. O objetivo foi analisar como uma atividade física para depressão pode contribuir para o controle dos sintomas quando integrada ao tratamento já existente.
Diretrizes internacionais de saúde mental já incluem exercícios físicos entre os recursos utilizados como apoio terapêutico. Pesquisas anteriores também associaram a prática regular de atividade física à liberação de neurotransmissores relacionados ao bem-estar emocional.
A relação entre depressão e sedentarismo ajuda a explicar o interesse crescente dos cientistas pelo tema. Pessoas com sintomas depressivos costumam apresentar níveis menores de atividade física, condição associada à perda de condicionamento e redução da qualidade de vida.
Os autores indicam que novos estudos poderão avaliar fatores como estabilidade terapêutica, uso de medicamentos e adesão aos cuidados clínicos. Ainda assim, os resultados obtidos colocam a caminhada nórdica, a atividade física para depressão e a relação entre saúde mental e exercício físico entre as linhas de pesquisa que mais avançam na busca por estratégias complementares de cuidado.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico ou profissional habilitado.
